Um novo dispositivo de memória capaz de operar em temperaturas de até 700°C foi desenvolvido por pesquisadores da University of Southern California, nos Estados Unidos, marcando um avanço notável para a exploração espacial e sistemas em condições extremas.
Publicado no dia 6 de abril, conforme reportado pelo portal Science Daily, o estudo apresenta o memristor, um componente que armazena dados e realiza cálculos mesmo em ambientes hostis, como os encontrados na superfície de Vênus ou em instalações de energia geotérmica.
Construído com materiais de alta durabilidade, como tungstênio, óxido de háfnio e grafeno, o memristor demonstrou resistência excepcional ao calor.
Nos testes conduzidos pela equipe, o dispositivo reteve dados por mais de 50 horas e suportou acima de um bilhão de ciclos de comutação a 700°C.
Liderada pelo professor Joshua Yang, da USC, a pesquisa destacou que essa capacidade pode transformar operações em locais onde a eletrônica convencional falha, como em missões espaciais a planetas de temperaturas extremas.
Os próprios pesquisadores apontaram que as condições da superfície de Vênus, com calor intenso, seriam um campo de aplicação ideal para essa tecnologia.
A descoberta ocorreu de forma inesperada, enquanto a equipe trabalhava em outro projeto baseado em grafeno.
Eles observaram que a interação entre tungstênio e grafeno evita curtos-circuitos, garantindo o funcionamento do dispositivo sob calor extremo.
Além de sua relevância para ambientes desafiadores, como sistemas nucleares e exploração espacial, o memristor também apresenta potencial para a inteligência artificial.
Sua capacidade de realizar cálculos diretamente pela passagem de eletricidade oferece maior eficiência em velocidade e consumo energético, especialmente em tarefas como multiplicação de matrizes, amplamente usadas em sistemas de IA.
A comercialização dessa tecnologia já está em andamento. A empresa TetraMem, cofundada por Joshua Yang e outros autores do estudo, trabalha no desenvolvimento de chips de IA baseados em memristores para uso em temperatura ambiente.
Enquanto isso, a versão resistente a altas temperaturas pode expandir essas aplicações para cenários extremos, ampliando as fronteiras da computação.
A pesquisa foi conduzida no âmbito do CONCRETE Center, um centro de excelência apoiado pela Força Aérea dos Estados Unidos, e contou com a colaboração de cientistas da Kumamoto University, no Japão.
Embora a integração em larga escala e o desenvolvimento de circuitos lógicos para altas temperaturas ainda representem desafios, os resultados abrem possibilidades concretas para a eletrônica do futuro.
A capacidade de operar em condições antes consideradas impossíveis posiciona o memristor como uma ferramenta estratégica para avanços em ciência e tecnologia, especialmente em projetos que demandam resistência e precisão sob pressão extrema.


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