A Comissão de Ética Pública da Presidência determinou uma quarentena remunerada de seis meses ao ex-ministro do Empreendedorismo, Márcio França (PSB), antes que ele possa prestar consultoria ao Sindicato da Micro e Pequena Indústria de São Paulo (Simpi). A medida busca evitar a chamada porta-giratória, expressão adotada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) para o trânsito de profissionais entre os setores público e privado.
O prazo começou a ser contado a partir de 15 de abril, data em que França consultou o colegiado, apenas 13 dias após deixar o ministério que comandava no governo Lula. O ex-ministro reconheceu, em documento enviado à comissão, que durante sua gestão teve acesso a informações estratégicas e sensíveis sobre políticas públicas, programas governamentais e diretrizes econômicas ligadas ao empreendedorismo e às micro e pequenas empresas.
A conselheira e relatora Maria Lúcia Barbosa destacou que a atuação pelo sindicato poderia configurar conflito de interesses e justificou: ‘Constitui mecanismo de proteção ao interesse público, ao estabelecer um período de impedimento à atividade privada com o intuito de evitar o uso indevido da posição de influência adquirida durante o exercício de função pública’. Além da quarentena, França continua obrigado a não divulgar nem utilizar informações privilegiadas obtidas no governo e deverá comunicar à comissão qualquer nova proposta de trabalho que receber durante o impedimento.
França deixou o governo Lula para disputar as eleições de 2026, mirando uma vaga no Senado por São Paulo na chapa encabeçada pelo ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad, pré-candidato do PT ao governo estadual. A decisão reforça o controle sobre a circulação de ex-autoridades para a iniciativa privada, em linha com as recomendações da OCDE, e busca preservar a integridade da administração pública.


Silvia Ramos
05/06/2026
Essa história de quarentena remunerada é só mais um jeitinho de maquiar o toma-lá-dá-cá que toma conta do nosso Brasil. Enquanto isso, o povo honesto trabalha duro e vê os políticos usando cargo público como trampolim pra negócio particular. Como diz a Palavra em Provérbios, o que anda na sinceridade anda seguro, mas o que perverte os seus caminhos será conhecido. Falta temor a Deus nessa turma!
Mariana Santos
05/06/2026
Concordo que a quarentena é uma maquiagem, Silvia, mas apelar para “temor a Deus” desvia o problema real: enquanto o mercado tratar cargo público como ativo privado, nem reza brava segura o toma-lá-dá-cá — o que falta não é fé, é controle popular sobre o Estado e fim da hegemonia do lucro.
Alice T.
05/06/2026
Seis meses de quarentena remunerada pra depois ir fazer consultoria? Isso não é ética, é só adiar o toma-lá-dá-cá com salário garantido. Enquanto isso, o povo paga a conta e os liberais que pregam Estado mínimo continuam usando o Estado como trampolim. Hipocrisia no talo.
Major Ricardo Silva
05/06/2026
Mais uma medida paliativa contra a velha política do toma-lá-dá-cá. Enquanto essa corja do PSOL e PCdoB continuar usando cargo público como trampolim para negócios privados, o Brasil não sai do lugar. Quarentena pra todo mundo, inclusive para os ministros do PT que fizeram pior e nunca foram investigados.
Samara Oliveira
05/06/2026
Concordo que a medida é paliativa, major, mas generalizar partidos inteiros como “corja” não resolve a falta de ética no serviço público. Precisamos é de uma reforma política profunda que feche essas portas giratórias de uma vez, para todos os lados, com transparência de verdade.