Menu

Quaest testa impacto do tarifaço de Trump na disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro

12 Comentários🗣️🔥 A nova rodada da pesquisa Quaest, que será divulgada em 10 de junho, chega num momento de pressão externa incomum sobre a campanha eleitoral brasileira. Pela primeira vez um levantamento nacional vai capturar o humor do eleitor após a ameaça do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor um novo tarifaço contra […]

12 comentários
Apoie o Cafezinho
Siga-nos no Siga-nos no Google News
Foto destacada da matéria.
Foto destacada da matéria.

A nova rodada da pesquisa Quaest, que será divulgada em 10 de junho, chega num momento de pressão externa incomum sobre a campanha eleitoral brasileira. Pela primeira vez um levantamento nacional vai capturar o humor do eleitor após a ameaça do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor um novo tarifaço contra o Brasil — e depois da exposta viagem do deputado Flávio Bolsonaro (PL) a Washington para cortejar justamente o governo que agora acena com sobretaxas.

Segundo reportagem da Carta Capital, o instituto ouvirá 2.004 eleitores entre esta sexta-feira 5 e a segunda-feira 8, com margem de erro de dois pontos percentuais. A amostra permitirá avaliar se a aliança simbólica entre o bolsonarismo e a Casa Branca gerou desgaste ou se o eleitor separa a política externa da escolha do voto.

Na pesquisa anterior do mesmo instituto, publicada em 13 de maio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparecia com 39% das intenções de voto no primeiro turno, contra 33% de Flávio. No segundo turno, o cenário projetava um empate técnico: 42% para Lula e 41% para o adversário — sinal de que a disputa segue apertada, mas com o petista mantendo uma dianteira numérica dentro das margens do levantamento.

O intervalo entre maio e junho, contudo, trouxe um fato novo carregado de significado político. A ida de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos, semanas atrás, foi vendida por aliados como demonstração de prestígio internacional, mas o resultado concreto foi a imediata ameaça de Trump de ampliar tarifas sobre produtos brasileiros, transformando o gesto de aproximação num possível passivo doméstico.

Para uma campanha que tenta se viabilizar com discurso de defesa da pátria, a imagem de subserviência a uma potência estrangeira que ameaça a economia nacional é veneno político. Lula, por sua vez, ganha espaço para se colar à defesa da soberania: enquanto o bolsonarismo se oferece como ponte para os interesses americanos, o governo brasileiro busca articular respostas diplomáticas e econômicas que protejam o parque produtivo do país.

Além das intenções de voto, o levantamento da Quaest vai sondar a opinião dos entrevistados sobre o impacto da possível sobretaxa americana. É a primeira medição que tenta cruzar o noticiário internacional com a percepção do eleitorado, oferecendo pistas sobre como o tema da soberania econômica vai pesar nas urnas.

A direita brasileira sempre operou bem quando conseguiu pautar a eleição em valores abstratos e guerra cultural. Agora, a ameaça ao bolso do trabalhador coloca em cena um fator concreto que pode desestabilizar essa estratégia.

O presidente Lula, ciente desse tabuleiro, não precisa fazer muito além de lembrar que o Brasil não se dobra a chantagens. A pesquisa Quaest dirá se esse recado já está chegando à rua.

, ,
Apoie o Cafezinho
Siga-nos no Siga-nos no Google News

Comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site O CAFEZINHO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie.

Escrever comentário

Escreva seu comentário

João Pereira

05/06/2026

Curioso como o noticiário insiste em transformar cada movimento de Trump em combustível para a polarização local. O tarifaço pode até aparecer nas intenções de voto, mas duvido que o eleitor médio troque o preço do feijão por uma briga de narrativas entre Washington e Brasília. Mais do que medir dano, a Quaest vai mostrar se o brasileiro ainda cai nesse jogo de empurrar crise externa para justificar fracasso interno.

Augusto Silva

05/06/2026

Os mesmos que babam por Trump agora vão ter que explicar pro agro brasileiro que o tarifaço do ídolo deles pode custar bilhões em exportações. Enquanto isso, o Brasil de Lula segue diversificando parcerias: o superávit com a China já passou de US$ 30 bilhões neste ano, e o agronegócio não depende dos humores de Mar-a-Lago. Patriotismo é bom, né, Flávio? Só que o seu guru não liga pra isso.

    Karina Libertária

    05/06/2026

    Amigo, o agro brasileiro já mostrou que sabe se virar very well sem depender de mamata estatal — e Trump é business, não caridade. Enquanto o Brasil do Lula vende soja pra China com preço tabelado por Pequim, o agro de verdade faz hedge em dólar e investe em Miami. Stay mad, honey.

    Sandra Martins

    05/06/2026

    Concordo que idolatrar líderes estrangeiros é perigoso, Augusto, e o agro de fato precisa de pragmatismo, não de fanatismo. Mas também acho saudável não endeusar parceiro nenhum: diversificar é bom, desde que o Brasil não troque uma dependência por outra, sempre lembrando que o sustento vem de Deus, não de Washington ou Pequim.

    Mariana Oliveira

    05/06/2026

    Augusto, sua análise toca num ponto crucial que a interseccionalidade me permite enxergar com ainda mais profundidade. Você acertou em cheio ao expor a contradição performática daqueles que juram amor à pátria enquanto se ajoelham pra um bilionário estrangeiro que ameaça justamente o setor que eles dizem defender. O tarifaço de Trump não é um acaso da política externa; ele expõe como o nacionalismo de araque da direita brasileira sempre foi seletivo, um patriotismo que funciona como escudo moral enquanto os lucros do agro-espetáculo seguem reféns de variáveis geopolíticas comandadas de Mar-a-Lago. A diversificação de parcerias que você citou, com o superávit chinês, não é mero acaso, mas sim uma estratégia de Estado que reconhece que a soberania de uma nação periférica como a nossa passa, necessariamente, por não depender do humor de um império em crise.

    Mas, como bell hooks nos ensina em “O feminismo é para todo mundo”, é preciso aprofundar essa crítica para além da superfície econômica. O modelo de agronegócio que lucra com essas exportações, tanto pra China quanto pros EUA, não está imune à análise de raça, classe e gênero. Ele se sustenta numa lógica de exploração que remonta à colonialidade do poder, onde o superávit bilionário muitas vezes se ergue sobre o trabalho precarizado, a grilagem de terras indígenas e a invisibilidade das mulheres rurais negras e quilombolas. Falar de superávit de US$ 30 bilhões sem questionar quem fica com esse lucro e a que custo socioambiental é reproduzir uma visão de desenvolvimento que Kimberlé Crenshaw, ao formular a interseccionalidade, nos alertaria ser cega às estruturas de opressão. Se o tarifaço de Trump é ruim é porque ele pode desorganizar as elites do agro, mas o patriotismo que você cobra de Flávio Bolsonaro não pode ser apenas um patriotismo das commodities.

    A verdade é que tanto o “guru” Trump quanto as oligarquias do agro brasileiro operam na mesma lógica capitalista heteropatriarcal que bell hooks denuncia: uma lógica que explora, que racializa e que desumaniza pra acumular. A soberania que o Brasil de Lula tenta construir, diversificando parcerias, precisa ser acompanhada de uma soberania interna sobre o nosso próprio modelo de desenvolvimento, que inclua reforma agrária popular, demarcação de terras indígenas e proteção das trabalhadoras do campo. Enquanto a esquerda e a direita disputarem apenas o melhor gestor do agronegócio, sem tocar nas feridas coloniais que estruturam nossa economia, continuaremos reféns de um jogo em que o povo preto e pobre é sempre a carta de descarte. Patriotismo é bom, sim, Augusto, mas o meu não cabe no latifúndio nem nas cédulas de dólar.

Mariana Alves

05/06/2026

O fato de a Quaest se prestar a medir o “impacto eleitoral” do tarifaço de Trump escancara uma armadilha analítica que preciso denunciar desde já: a pesquisa, ao enquadrar a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro como se ambos fossem jogadores no mesmo campo liberal, oculta a verdadeira natureza do conflito. Trump não é um mero fator exógeno a ser testado nas urnas; ele personifica a fase mais predatória do capitalismo financeiro global, a mesma que o bolsonarismo idolatra como sinônimo de “liberdade econômica”. O tarifaço não é um desvio de rota – é a consequência lógica de décadas de desregulamentação e submissão dos Estados nacionais aos ditames do grande capital. Medir reação eleitoral a isso é confundir sintoma com doença.

Flávio Bolsonaro e sua legião de seguidores sempre defenderam a abertura irrestrita da economia brasileira, o teto de gastos e a Reforma Trabalhista como se fossem mandamentos divinos. Agora, quando o próprio ídolo do protofascismo mundial aperta o cerco contra a indústria nacional, vejamos se o eleitor bolsonarista conseguirá sustentar a fantasia de que “mercado resolve tudo”. A pesquisa pode até capturar uma oscilação superficial de humor, mas jamais revelará a contradição insuperável: a direita brasileira defende o mesmo Trump que estrangula o parque produtivo do país. Esse curto-circuito ideológico tende a se aprofundar, e não a desaparecer com uma pesquisa.

Do lado lulista, a tentação de surfar na crise tarifária como se fosse um troféu diplomático é igualmente perigosa. Lula precisa demonstrar que entende o tarifaço não como um acidente de percurso, mas como mais um capítulo da guerra interimperialista que o Brasil precisa enfrentar com soberania. Isso significa, concretamente, abandonar o novo marco fiscal e a submissão ao Consenso de Washington. Enquanto o PT insistir em uma política econômica de conciliação de classes – mantendo juros estratosféricos e cortes orçamentários –, qualquer vantagem tática contra o bolsonarismo será efêmera. O tarifaço de Trump deveria ser um alerta para a esquerda construir um projeto de desenvolvimento autônomo, e não um mero factóide eleitoral.

Por fim, como psicóloga social, não posso deixar de notar o quanto esse tipo de pesquisa serve para naturalizar a lógica do “isso ou aquilo” nas urnas, quando o necessário é um debate de fundo sobre modelo civilizatório. A disputa Lula versus Flávio Bolsonaro não se resolve com ajustes na comunicação ou com um “impacto” momentâneo na percepção pública. Exige que a esquerda brasileira ouse fazer o que a direita nunca fará: criticar sem meias palavras o capitalismo em sua fase atual, denunciar o tarifaço como expressão da crise orgânica do neoliberalismo e propor uma alternativa estrutural. Caso contrário, a pesquisa de junho servirá apenas para entretenimento de quem acredita que a política se reduz a algoritmos de opinião.

    Ahmed El-Sayed

    05/06/2026

    Mariana, sua análise é coerente dentro do materialismo ateu que rejeita a ordem natural, mas você esquece o essencial: tanto Lula quanto Bolsonaro são produtos do mesmo secularismo que destrói a família e a tradição. O verdadeiro problema não é o capitalismo ou o tarifaço, e sim a ausência de Deus na condução da política — sem a Sharia, toda disputa eleitoral é apenas variação do mesmo erro.

Caio Vieira

05/06/2026

Caro editor, permita-me saudar o oportuno foco na pesquisa Quaest que, em meio ao turbilhão geopolítico, busca aferir a temperatura da opinião pública brasileira diante do que poderíamos denominar, à luz de Tácito, o “tarifaço trumpista”. Em minha cátedra mineira, tenho insistido que as relações econômicas internacionais jamais se desvencilham daquilo que Gramsci denominou hegemonia — e o que vemos é a explicitação brutal de uma hierarquia. Não se trata meramente de uma disputa comercial; é a atualização de uma violência simbólica, para usar Bourdieu, que recoloca o Brasil na posição de subalternidade, um eco das antigas trocas desiguais denunciadas por Celso Furtado.

O que me fascina, enquanto sociólogo atento aos fenômenos ideológicos, é como a ameaça de Trump atua como um catalisador de representações. De um lado, a direita brasileira, sempre tão afeita ao discurso do “empreendedorismo heroico”, vê-se encurralada por um verdadeiro pater familias norte-americano que, com a crudeza de um pretor romano, impõe sua lex mercatoria. É o paradoxo do grande capital periférico que sempre sonhou com a autonomia, mas que, quando confrontado com a realpolitik do império, descobre que sua liberdade era uma ficção. De outro lado, o campo popular, que deveria compreender o caráter espoliativo dessa ofensiva, pode ser seduzido por narrativas nacionais que, se não ancoradas em uma consciência de classe madura, resvalam para o ufanismo vazio.

A pesquisa Quaest, ao capturar o humor do eleitorado, não mede apenas intenção de voto. Ela funciona como um termômetro daquilo que denomino, em meus artigos, a “dialética da esperança e da ressaca”. O povo brasileiro, em sua sabedoria prática, sabe que o tarifaço de Trump não é um fenômeno meteórico, mas a continuidade de uma estrutura de dependência. O que está em jogo é a capacidade da intelligentsia orgânica, principalmente nos sindicatos e movimentos sociais, de transformar essa agressão externa em um ponto de virada para a reconstrução de uma política industrial autônoma e soberana. Não podemos esquecer Horácio: “Adversis rerum immersabilis undis” — nas ondas adversas, não devemos nos submergir, mas sim remar.

Por fim, gostaria de expressar minha solidariedade inquebrantável às lutas empreendedoras do nosso povo, sobretudo dos pequenos produtores e comerciantes que, sem terem jamais visto um centavo de subsídio estatal, são os primeiros a sentir o peso de uma guerra comercial que não pediram. A cultura popular, com sua astúcia e resiliência, sempre encontrou caminhos para sobreviver às agruras. Que este momento de pressão externa sirva, então, como um despertar coletivo, uma espécie de catarse gramsciana. Caso contrário, estaremos, como na fábula de Virgílio, a discutir o sexo dos anjos enquanto o fogo do protecionismo devasta o latifúndio do agronegócio e a indústria nacional agoniza, vítima de uma hegemonia que nunca nos foi favorável.

    Adriana Silva

    05/06/2026

    Tudo isso que vc escreveu é a maior prova de que comunismo e marxismo cultural já dominaram as universidades brasileiras, vai pra Cuba, Faz o L!

      Nadia Petrova

      05/06/2026

      Adriana, se “marxismo cultural” significa ensinar pensamento crítico nas universidades, então sim, tomou conta — e ainda bem. Quanto a Cuba, prefiro ficar aqui mesmo, pagando meus impostos e torcendo para que o Brasil um dia entenda que livre mercado e direitos civis não são contraditórios.

      Paulo Ribeiro

      05/06/2026

      Adriana, agradeço pelo comentário, pois ele ilustra com precisão um fenômeno que Gramsci chamava de “guerra de posição”: a dificuldade que setores conservadores têm em distinguir análise crítica de doutrinação. Quando você menciona “marxismo cultural” e “dominação das universidades”, está ecoando um discurso que tem origem na Escola de Frankfurt, mas desvirtuado por décadas de apropriação reacionária. O que fiz no artigo não foi pregar qualquer ideologia, mas sim aplicar o materialismo histórico para entender como as tarifas de Trump — um fenômeno do capitalismo global — afetam a correlação de forças eleitorais no Brasil. Se isso incomoda, talvez o incômodo não esteja na minha análise, mas na realidade que ela descreve. A universidade pública brasileira, formada por intelectuais como Florestan Fernandes e Paulo Freire, sempre teve como missão formar cidadãos críticos, não súditos. Negar esse papel é negar a própria função do conhecimento.

      Seu convite para “ir a Cuba” e o bordão “Faz o L” revelam uma recusa em debater o conteúdo concreto. Cuba é um país com contradições reais, mas também com conquistas inegáveis em saúde e educação — seria interessante, para quem se dispõe a estudar, ler Mariátegui sobre a necessidade de uma análise concreta de cada formação social. Quanto ao “Faz o L”, ele reduz o debate político a um meme, enquanto o artigo tratava de dados de pesquisa e cenários geopolíticos. O que está em jogo não é minha preferência partidária, mas a compreensão de que o tarifaço trumpista é um ataque à soberania nacional que atinge trabalhadores e pequenos empresários brasileiros — independentemente de votarem em Lula ou Bolsonaro. Chamar isso de comunismo é, no mínimo, um atalho retórico que empobrece a conversa.

      Por fim, sugiro uma leitura de Althusser: os “Aparelhos Ideológicos de Estado” não funcionam por imposição, mas por reprodução de valores. Se você enxerga marxismo em toda crítica ao capitalismo, talvez esteja vendo seu próprio reflexo no espelho. O debate público precisa de mais densidade e menos xingamentos. Estou aqui para dialogar, não para fugir. Se quiser discutir os dados da Quaest ou a teoria do valor-trabalho, estou à disposição. Caso contrário, seu comentário diz mais sobre seus medos do que sobre meu texto.

      Adalberto Livre

      05/06/2026

      Adriana, a senhora tá certíssima, universidade virou curral do comunismo, quem acha o contrário é porque nunca trabalhou de verdade.


Leia mais

Recentes

Recentes