A pressão política e popular pelo fim da escala 6×1 começa a produzir efeitos no Senado Federal.
Segundo informações divulgadas nesta sexta-feira, o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), sinalizou a aliados que pretende finalmente destravar a tramitação da proposta que reduz a jornada de trabalho e substitui o modelo de seis dias de trabalho para apenas um de descanso.
A expectativa é que, já na próxima semana, Alcolumbre encaminhe a PEC para análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), dando início formal à tramitação da matéria no Senado. O colegiado é presidido pelo senador Otto Alencar (PSD-BA), aliado do governo Lula.
O movimento representa uma mudança importante de postura. Nos últimos dias, Alcolumbre vinha sendo alvo de críticas por manter a proposta parada na Mesa Diretora, sem despacho para as comissões. O atraso gerou cobranças de parlamentares governistas, sindicatos, movimentos sociais e trabalhadores favoráveis à redução da jornada semanal.
A PEC já foi aprovada pela Câmara dos Deputados e prevê a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, além da adoção obrigatória de dois dias de descanso remunerado por semana, substituindo a tradicional escala 6×1 pela escala 5×2.
Nos bastidores, a relatoria da proposta já começou a ser disputada por senadores do centro e da centro-esquerda. A escolha do relator será estratégica, já que caberá a ele conduzir os debates e definir o ritmo da tramitação dentro da CCJ.
A mudança de postura de Alcolumbre ocorre em um momento de forte desgaste político. O presidente do Senado passou a enfrentar novas pressões após denúncias envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Reportagens recentes apontaram que uma proposta de delação apresentada pela defesa de Vorcaro cita supostos repasses de aproximadamente R$ 155 milhões a Alcolumbre. O senador nega qualquer irregularidade e afirma que acionará judicialmente os responsáveis pelas acusações.
Além da pressão política, o tema ganhou enorme apoio popular. Pesquisas recentes mostram que a maioria dos brasileiros apoia o fim da escala 6×1, transformando a proposta em uma das pautas trabalhistas mais populares em debate no Congresso Nacional.
O governo Lula também acompanha a movimentação com atenção. Integrantes da base governista trabalham para aprovar a proposta ainda neste semestre, antes do recesso parlamentar de julho. A avaliação é que a medida possui forte apelo social e pode se tornar uma das principais conquistas trabalhistas do atual mandato.
Se o encaminhamento à CCJ for confirmado na próxima semana, a PEC dará seu passo mais importante desde a aprovação na Câmara e colocará o Senado no centro de um debate que mobiliza milhões de trabalhadores em todo o país.
Para os defensores da proposta, o recado é claro: depois de meses de paralisação, o fim da escala 6×1 finalmente começa a se mover no Senado.


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