O preço do óleo diesel registrou deflação de 2,34% em maio, conforme apurou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. É o primeiro recuo mensal significativo após meses de pressão sobre o setor de transportes.
A queda acontece na contramão do índice geral de inflação, que subiu 0,58% no mesmo período puxado por alimentos e bebidas. O alívio no diesel contrasta diretamente com o salto de 4,46% registrado em abril — uma oscilação que acendeu alertas entre caminhoneiros e operadores logísticos.
Na comparação com maio do ano passado, quando o combustível caiu 1,30%, o recuo atual é mais profundo. O movimento sugere um arrefecimento real das cotações internacionais do petróleo, somado a ajustes na política de preços da Petrobras nos últimos meses.
Quando se observa a janela de doze meses, porém, o cenário ainda é de aperto. O acumulado atual chega a 14,51%, o que significa que, apesar da trégua de maio, encher o tanque segue muito mais caro do que há um ano. Em maio de 2025, esse mesmo indicador estava em apenas 4,50%.
O acumulado de doze meses também perdeu fôlego em relação a abril, quando marcava 15,73%. A redução de 1,22 ponto percentual nesse horizonte indica que a tendência inflacionária do diesel começa a perder tração, ainda que lentamente.
O custo invisível de levar combustível a todos os postos do país — tema debatido recentemente por especialistas em logística — permanece como fator estrutural de preço. Mesmo com recuos pontuais, a capilaridade da distribuição brasileira impõe um piso elevado que só se rompe com mudanças tributárias ou quedas sustentadas do barril.
A reversão de maio pode aliviar a conta do frete nas próximas semanas, mas o bolso do consumidor ainda sente o peso de um ano inteiro de aumentos. O diesel mais barato na bomba é bem-vindo, mas chega depois de um ciclo em que o combustível subiu três vezes mais do que a inflação geral acumulada em doze meses. O recuo é real, mas a memória do tanque ainda dói.
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