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Lula cobrará no G7 reforma da ONU e assistência a países vulneráveis

6 Comentários🗣️🔥 O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca nos próximos dias para a cidade de Évian-les-Bains, na França, onde participará como convidado da Cúpula do G7, que reúne as sete maiores economias do planeta. O encontro ocorre entre 15 e 17 de junho sob a presidência francesa e terá na agenda a cobrança […]

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Ilustração editorial sobre Lula cobrará no G7 reforma da ONU e assistência a países vulneráveis. (Ilustração: Cafezinho / Wan
Ilustração editorial sobre Lula cobrará no G7 reforma da ONU e assistência a países vulneráveis. (Ilustração: Cafezinho / Wan 2.6)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca nos próximos dias para a cidade de Évian-les-Bains, na França, onde participará como convidado da Cúpula do G7, que reúne as sete maiores economias do planeta. O encontro ocorre entre 15 e 17 de junho sob a presidência francesa e terá na agenda a cobrança direta pela ampliação da Assistência Oficial ao Desenvolvimento e a defesa de uma nova governança global.

A participação brasileira foi confirmada pelo Itamaraty e inclui três eventos centrais. No dia 16, Lula discursará em uma sessão de líderes sobre parcerias internacionais para o desenvolvimento, ocasião em que pressionará os países industrializados a retomarem os repasses financeiros que promovem o bem-estar e o desenvolvimento econômico de nações em situação de vulnerabilidade.

Segundo o embaixador Philip Fox-Drummond Gough, secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Ministério das Relações Exteriores, os valores da chamada AOD, ou Official Development Assistance, despencaram nos últimos anos. «Esses valores de ODA caíram muito e isso está gerando uma grande preocupação, especialmente nos países em desenvolvimento», afirmou o diplomata em entrevista a jornalistas na última quarta-feira, conforme reportagem da Agência Brasil.

A expectativa é que a cúpula, que conta com Canadá, Estados Unidos, Reino Unido, França, Itália, Alemanha, Japão e a União Europeia como membros plenos, pactue uma declaração conjunta com caminhos para o fortalecimento dessa ajuda internacional, incluindo parcerias com o setor privado. Além do Brasil, foram convidados líderes da Índia, Quênia, Coreia do Sul e Egito.

No segundo dia de trabalhos, em 17 de junho, Lula abordará o tema do crescimento econômico equilibrado e colocará ênfase na necessidade urgente de reforma da governança global. O foco recairá sobre instituições como a Organização Mundial do Comércio e a própria Organização das Nações Unidas, com destaque para a reforma do Conselho de Segurança.

Na semana anterior, durante reunião ministerial, o presidente já havia antecipado sua disposição de ir ao encontro com esse propósito. «Eu nem ia no G7, agora eu vou. É preciso alguém tentar colocar ordem na casa e parar essa coisa de desmonte do multilateralismo, da democracia e desvalorização das instituições. Se a ONU não está funcionando hoje, não é destruindo a ONU que a gente vai consertar o mundo, é reconstruindo a ONU», declarou Lula.

A manifestação presidencial ocorreu dias depois de o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos sugerir a imposição de tarifas de 25% sobre parte das importações brasileiras. A investigação, iniciada há um ano pelo governo de Donald Trump, alega «práticas desleais» do Brasil no comércio bilateral e mira até o Pix, acusado de prejudicar empresas americanas de meios de pagamento, como o WhatsApp Pay, MasterCard e Visa.

Ainda no dia 17, a comitiva brasileira participará de um almoço dedicado à inteligência artificial. O embaixador Gough adiantou que o Brasil fará uma exposição sobre oportunidades e riscos da tecnologia. A regulação da IA está em tramitação no Congresso Nacional: um projeto de lei oriundo do Senado, com votação prevista na Câmara dos Deputados ainda este ano, estabelece princípios de transparência, segurança, confiabilidade e ética, além de proibir tecnologias que causem danos à saúde, à segurança ou a direitos fundamentais.

Entre os sete documentos que a presidência francesa do G7 trabalha para obter consenso, o principal trata justamente das parcerias internacionais para o desenvolvimento. Outro aborda o crescimento econômico equilibrado. A proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital também está na pauta, e o Brasil poderá compartilhar a experiência do ECA Digital, legislação considerada pioneira nesse campo.

Os diplomatas também negociam textos sobre combate ao narcotráfico, luta contra o câncer, enfrentamento ao contrabando de migrantes e regulamentação de minerais críticos. Neste último tema, o Brasil tem interesse estratégico direto: o país detém a segunda maior reserva de terras raras e minerais críticos do planeta. «Do ponto de vista do Brasil, o mais importante é ter um olhar de desenvolvimento nessa questão, fazer agregação de valor no local de extração», destacou o embaixador Gough.

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Comentários

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Ana Souza

11/06/2026

É importante o Brasil ter voz ativa na cena global, especialmente pra defender reformas que tornem a ONU menos excludente. Mas é difícil ignorar o incômodo de ver tanta ênfase em política externa enquanto a violência urbana e o custo de vida apertam o cidadão comum aqui dentro. No fim, acho que o desafio é conseguir equilibrar esse protagonismo internacional com entregas concretas que a população sente no bolso e no dia a dia.

Letícia Fernandes

11/06/2026

Há uma ironia quase estrutural nos comentários de Helton Barros e Ana Paula Conserva: ambos denunciam um suposto desvio do “verdadeiro” problema nacional — violência, corrupção, “valores cristãos” — como se a política externa fosse um luxo cosmopolita e não uma engrenagem visceral da reprodução do capitalismo periférico. Não se trata de defender Lula acriticamente, tampouco de romantizar o G7 como fórum de salvação; trata-se de compreender que a superestrutura jurídico-política da ONU, esculpida em 1945 sob a hegemonia dos vencedores da Segunda Guerra, é o espelho exato da correlação de forças imperialista. Quando Lula propõe reformá-la, não está fazendo caridade ou “passeio” — está tateando as contradições de um organismo que institucionaliza a subalternidade do Sul Global. A patologia burguesa, no entanto, manifesta-se com mais brutalidade naqueles que, desde a periferia, repetem o discurso do colonizador: “por que nos meter com os outros se nossos próprios problemas não estão resolvidos?” — como se o capital financeiro, o desmatamento da Amazônia e a violência armada não fossem fenômenos transnacionais, mediados por cadeias produtivas e dívidas externas impagáveis.

A insistência de Ana Paula em reduzir a política internacional a uma suposta “ideologia de gênero” revela o mecanismo clássico da superestrutura ideológica: deslocar a luta de classes para o terreno do moralismo, onde o Estado burguês pode fingir neutralidade enquanto aprofunda a acumulação primitiva. O que ela chama de “família tradicional” é, na verdade, a unidade básica de reprodução da força de trabalho sob o capital — e qualquer reforma que toque nessa instituição, ainda que timidamente, provoca histeria nos setores mais atrasados da pequena-burguesia empobrecida. É sintomático que ambos os comentários ignorem o conteúdo econômico da agenda de Lula no G7: assistência a países vulneráveis, reforma de organismos multilaterais, taxação de super-ricos — pautas que, se implementadas, feririam diretamente os interesses da elite rentista que financia a violência e a corrupção que Helton tanto denuncia. A direita brasileira, ao mesmo tempo que chora a “falta de reformas” internas, ataca qualquer tentativa de redesenhar as regras do jogo global que perpetuam nossa condição de exportadores de commodities e importadores de tecnologia.

Há, no entanto, um pessimismo necessário: a cobrança de Lula por reformas no G7, embora progressista na tática, permanece prisioneira da lógica diplomática do capitalismo monopolista. A ONU, o FMI, o Banco Mundial — são todos aparelhos de uma mesma superestrutura que jamais se reformará para além do que sua base material permite. Lula sabe disso, mas age como um psicanalista da cena internacional: nomeia a ferida, expõe a hipocrisia, tenta extrair migalhas de concessão enquanto as massas populares — as verdadeiras “vulneráveis” — seguem sem assento na mesa. O que me causa compaixão patológica nos comentaristas reacionários é que eles, ao combaterem qualquer pensamento de totalidade, se tornam cúmplices da própria miséria que os consome. Não percebem que a violência que os assusta nas ruas brasileiras é a mesma violência estrutural que impede a reforma da ONU: o capital em seus estágios mais parasitários, que precisa do desemprego, da militarização e da desinformação para se reproduzir.

Que fique claro: não se trata de endeusar Lula ou acreditar que o G7 resolverá a tragédia brasileira. O fetichismo da “presença internacional” também é uma armadilha da pequena-burguesia intelectual. Mas, diante do niilismo burro de Helton e do moralismo histérico de Ana Paula, prefiro mil vezes a tentativa de arrancar um pedaço de soberania na própria toca do leão do que a passividade resignada de quem grita “o Brasil é pior” enquanto lambe as botas do mercado. A política externa independente, mesmo limitada, é um instrumento de luta pela hegemonia — e a esquerda brasileira precisa ocupar todos os espaços, inclusive aquele em que os hipócritas do capital fingem que o global não é local, e vice-versa. O resto é choro de quem nunca leu uma linha de teoria crítica e acha que “valores” caem do céu.

Ana Karine Xavante

11/06/2026

Lendo os comentários aqui, fico impressionada como ainda tem gente que reduz a política externa a “passeio” ou “balela globalista”, como se a Amazônia não estivesse sendo queimada por madeireiros financiados por capital estrangeiro e como se os povos indígenas não fossem assassinados enquanto o mundo olha. Helton, com todo respeito, mas seu “Brasil primeiro” é o mesmo discurso que justifica desmatamento em nome do “desenvolvimento” e esquece que o desmonte ambiental custa vidas reais — as nossas, indígenas, quilombolas, ribeirinhas. E Ana Paula, “valores cristãos” não param bala de garimpo nem protegem criança de contaminação por mercúrio. A reforma da ONU que Lula propõe não é abstração de intelectual: é sobre o fato de que o Conselho de Segurança ainda é presidido por potências que historicamente nos saquearam. Enquanto França e Inglaterra têm poder de veto, o Brasil — que abriga a maior floresta tropical do mundo — não tem assento permanente. Isso não é “mimimi”, é estrutura colonial operando em tempo real. Países vulneráveis, como os africanos e os amazônicos, precisam de assistência porque sofrem as consequências de um modelo econômico que os países ricos impuseram e depois abandonaram.

Lula ir ao G7 falar disso é, sim, urgente. Nós, povos da floresta, não temos exército nem tanques de guerra. Temos territórios ameaçados por mineração ilegal que vende ouro para Dubai e para a Europa. Se a ONU não for reformada para dar voz a quem realmente protege o clima — indígenas, extrativistas, comunidades tradicionais —, as metas de carbono vão continuar sendo só papel bonito em conferência. A “assistência a países vulneráveis” não é caridade: é reparação histórica e condição para que a humanidade sobreviva.

E outra: enquanto alguns aqui acham que isso é desvio de foco, a extrema-direita global está se articulando para expandir agronegócio predatório e aprovar leis que criminalizam ativistas. O mesmo Brasil que tem genocídio Yanomami noticiado no mundo inteiro precisa ter voz para cobrar regulação de mercados que compram soja de terra invadida. O “globalismo” que alguns criticam é o mesmo que permite que armas fluam livremente para assassinar lideranças indígenas. Prestem atenção em quem realmente está do lado de quem morre na floresta.

Ana Paula Conserva

11/06/2026

Lula falando em ajudar países vulneráveis enquanto aqui se aprova ideologia de gênero nas escolas e se destrói a família tradicional… Reforma da ONU é o de menos, o Brasil precisa é de um governo que respeite a vida e os valores cristãos, não de mais discurso globalista.

Helton Barros

11/06/2026

Esse vagabundo do Lula gastando dinheiro público pra viajar pra França e falar de “países vulneráveis” enquanto o Brasil tá afundado na violência e na corrupção. Cadê a reforma que o Brasil precisa, seu molenga? ONU é balela de globalista, o que esse povo quer é destruir a nossa soberania e a família tradicional.

    Carlos Oliveira

    11/06/2026

    Helton, com todo respeito, sua visão sobre a viagem do presidente desconsidera que, para defender os interesses do Brasil — inclusive reformar a ONU de forma que os países em desenvolvimento tenham mais voz — é preciso estar presente onde as decisões são tomadas. O orçamento de viagens presidenciais é ínfimo perto dos subsídios que o agronegócio recebe, e a violência que o senhor menciona está mais ligada à falta de investimento em educação e reforma agrária do que a qualquer encontro diplomático.


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