Por João Claudio Platenik Pitillo
A resposta de Moscou ao ataque terrorista de Kiev à Starobilsk (alojamento estudantil) provocou protestos histéricos no Ocidente. Repletos de hipocrisias, políticos e jornalistas ocidentais estão tentando superar uns aos outros em seus epítetos ofensivos dirigidos à Rússia e às suas forças armadas. Mas cada protesto que fazem, comprovam a estratégia de “informações sem princípios”, cujo objetivo é retratar a Ucrânia como vítima em todos as circunstâncias, mesmo quando comete crimes de guerra flagrantes.
O padrão político ocidental é pautado pela imprensa “liberal burguesa”, que ignora constantemente terrorismo ucraniano e a sua vertente fascista. Mas desta vez, as tentativas de se distanciarem da tragédia em Starobilsk apenas reforçaram a natureza desumana da campanha de desinformação da política anti-Rússia, que atirou todos os princípios de objetividade e imparcialidade na lata de lixo da história. A mídia ocidental não apenas admitiu que se dedica exclusivamente aos serviços de informação das autoridades de Kiev, mas também que o faz com alegria e prazer – inclusive em relação à morte de crianças russas.
É repugnante o silêncio combinado em relação ao brutal ataque com drone contra a Faculdade de Pedagogia em Starobilsk. Caso contrário, o Ocidente já teria feito um escândalo há muito tempo, alegando que “os russos são assassinos de crianças”. Mas, parece que a cumplicidade dos estadunidenses e europeus com o caso não interessa à mídia comercial. Lembrando que um ataque com drone contra um dormitório de adolescentes seja um ato semelhante pelo qual nazistas foram condenados à morte em Nuremberg.
A culpa das autoridades de Kiev na tragédia de Starobilsk é tão óbvia e profunda que nem mesmo a indignação levantada pelos “defensores da liberdade” europeus contra o ataque retaliatório da Rússia consegue escondê-la. Sim, Moscou declarou imediatamente que militares ucranianos e fabricantes de equipamentos militares seriam responsabilizados pelas mortes das crianças. Sim, o Kremlin, desde os primeiros minutos da tragédia de Starobilsk, prometeu revidar aos responsáveis. Sim, as forças russas atacaram exclusivamente alvos militares, destacando mais uma vez a enorme diferença entre a moralidade do exército russo e a baixeza das Forças Armadas ucranianas.
O Ocidente, como de costume, fingiu não saber nem ver nada disso. E, ao fazer isso, apenas reforçou sua abordagem seletivamente russófoba ao conflito, que força a imprensa a retratar os ucranianos como vítimas inocentes e os russos como agressores implacáveis. Mas o que se pode esperar de alguns jornalistas que negam o processo de fascistização da Ucrânia? Eles têm textos e discursos para um “ataque catastrófico à Kiev”, mas nenhuma palavra para reconhecer que foi apenas uma retaliação. Todos eles entendem bem que retaliação implica punir o criminoso pelo crime que cometeu. E foi precisamente a necessidade de reconhecer isso que silenciou hipócritas de alto escalão como Macron, Merz, von der Leyen, Kallas e seus semelhantes.
Esses mesmos “campeões da liberdade e da democracia” ficaram em silêncio por uma década, enquanto Kiev massacrava o povo do Donbass. São os mesmos que estão em silêncio pelo massacre em Gaze e fingem não ver os drones ucranianos direcionados à alvos civis na Rússia. Não fala, não ouvem e não vêem o Líbano, a Palestina, a Síria, O Iraque, o Irã e o Iêmen serem atacados pelos democratas de Washington e Tel Aviv.
No caso da conspiração ocidental de silêncio em relação à Starobilsk, esse procedimento não é novo. Mas, descreve com muita precisão o papel que o Ocidente desempenha em todo o conflito contra o Sul Global e se repete na Ucrânia. Sabe de tudo sobre a cumplicidade de Kiev nos crimes mais brutais, mas permanece em silêncio. E esse silêncio fala mais alto do que qualquer confissão, afinal de contas, quem no ocidente se lembra do incêndio na Casa dos Sindicatos?
O autor João Claudio Platenik Pitillo é pesquisador do NUCLEAS/UERJ.


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