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Bioacústica comprova que Costa Rica recuperou biodiversidade ao pagar proprietários rurais para restaurar florestas

0 Comentários🗣️🔥 Um estudo publicado na revista Global Change Biology revelou que o programa de Pagamento por Serviços Ecossistêmicos da Costa Rica — pioneiro no mundo — conseguiu não apenas regenerar a cobertura florestal do país, mas também trazer de volta a biodiversidade perdida ao longo de décadas de desmatamento. A comprovação veio por meio […]

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Ilustração editorial sobre Bioacústica comprova que Costa Rica recuperou biodiversidade ao pagar proprietários rurais para re
Ilustração editorial sobre Bioacústica comprova que Costa Rica recuperou biodiversidade ao pagar proprietários rurais para restaurar florestas. (Ilustração: Cafezinho / Wan 2.6)

Um estudo publicado na revista Global Change Biology revelou que o programa de Pagamento por Serviços Ecossistêmicos da Costa Rica — pioneiro no mundo — conseguiu não apenas regenerar a cobertura florestal do país, mas também trazer de volta a biodiversidade perdida ao longo de décadas de desmatamento. A comprovação veio por meio de uma técnica inovadora: os pesquisadores gravaram e analisaram os sons da vida silvestre nas florestas restauradas.

Entre 1960 e 1980, grande parte da rica floresta costarriquenha foi derrubada para dar lugar à agricultura e à pecuária. Em 1996, o país criou o primeiro programa de Pagamento por Serviços Ecossistêmicos (PES) do planeta, remunerando proprietários rurais para que restaurassem a vegetação nativa em suas terras.

O programa protege hoje mais de 200 mil hectares e é reconhecido internacionalmente como modelo de políticas públicas que conciliam justiça social e preservação ambiental. Segundo detalha o portal phys.org, os autores do estudo afirmam que o PES nasceu da compreensão de que a degradação ecológica e a desigualdade econômica são problemas interligados e precisam ser enfrentados em conjunto.

Embora imagens de satélite já mostrassem o avanço da copa das árvores nas áreas restauradas, ainda não estava claro se a fauna havia realmente retornado. Para responder a essa pergunta, o pesquisador Giacomo Delgado, do Instituto de Biologia Integrativa de Zurique, e sua equipe instalaram gravadores de áudio em 119 pontos da Península de Nicoya, na Costa Rica.

Foram registradas 16.658 horas de som em quatro tipos de ambientes: florestas em regeneração natural dentro do PES (com pelo menos 10 anos de programa), plantações de monocultura, pastagens degradadas e florestas maduras usadas como referência. Os pesquisadores analisaram as chamadas paisagens sonoras, concentrando-se em horários biologicamente relevantes e em frequências associadas a diferentes grupos de animais.

Os resultados foram contundentes: as florestas em regeneração natural sob o PES apresentaram características acústicas muito mais próximas das florestas maduras de referência do que das pastagens degradadas. Em média, esses locais foram 1,4 vez mais similares às florestas de referência do que as pastagens, chegando a ser até quatro vezes mais similares em determinados horários e pontos de coleta.

As plantações de monocultura, geralmente cultivos de madeira com árvores de 7 a 20 anos, também mostraram alguma recuperação, com similaridade 1,24 vez maior em relação às florestas de referência. O pico de semelhança acústica ocorreu durante o coro do anoitecer, quando os valores médios de similaridade ultrapassaram 0,90, indicando uma sobreposição sonora quase completa entre as florestas regeneradas e as maduras.

Os autores observaram que as similaridades durante o coro do amanhecer foram menos pronunciadas e que, nesse período, tanto as áreas de regeneração natural quanto as plantações ainda se assemelhavam mais às pastagens. Isso sugere, segundo o estudo, que analisar as paisagens sonoras apenas no amanhecer pode subestimar o nível de recuperação ecológica alcançado.

A pesquisa oferece evidências robustas de que políticas de restauração em larga escala baseadas em redistribuição de renda podem produzir recuperação ecológica real. O som da vida retornando às florestas da Costa Rica funciona como um atestado biológico de que ajudar pessoas e ajudar o meio ambiente são objetivos que caminham juntos.

O estudo também reconhece que o programa PES ainda tem fragilidades e precisa de aperfeiçoamentos para garantir uma distribuição de riqueza verdadeiramente equitativa. Ainda assim, muitos participantes relatam benefícios socioeconômicos significativos, o que reforça o potencial do modelo costarriquenho como referência global.

A Costa Rica demonstrou que é possível redistribuir recursos diretamente a quem vive em associação com a natureza, taxando comportamentos ambientalmente destrutivos e recompensando a gestão ecológica responsável. Em um século marcado pelo agravamento simultâneo da crise ambiental e da desigualdade econômica, o exemplo centro-americano projeta um caminho concreto e replicável para outras nações do Sul Global.

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