Em troca de neutralidade na disputa presidencial, Lula protege adversários históricos do PT e abre caminho para o centrão colher votos lulistas no Nordeste.
Emissários do presidente Lula iniciaram uma ofensiva para isolar Flávio Bolsonaro na corrida presidencial, afastando o centrão de sua candidatura, segundo reportagem da Folha de S.Paulo publicada em 24 de julho.
As conversas com as cúpulas de PP, União Brasil e Republicanos já produziram um resultado concreto.
O PP informou a Flávio que ficará neutro na disputa presidencial.
O principal nome protegido pelo acordo é o senador Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro e adversário histórico do PT. As tratativas foram conduzidas pelo presidente nacional do PT, Edinho Silva, e depois pelo ministro das Relações Institucionais, José Guimarães.
No caso do União Brasil, o senador Camilo Santana atuou como interlocutor por conta da aliança no Ceará. A costura também envolve o Republicanos, presidido pelo deputado Marcos Pereira, que se tornou a última esperança do PL para uma aliança com uma grande legenda.
Pereira abriu consulta aos diretórios estaduais e deve anunciar a decisão até 1º de agosto. A ala nordestina do partido resiste, temendo que a aliança com Flávio prejudique sua votação em estados com tendência lulista.
No Piauí, onde Lula tem vantagem histórica, a estratégia é evitar hostilidade a Ciro Nogueira para facilitar que ele obtenha votos lulistas na disputa pela reeleição. No Maranhão, o acordo beneficia o ex-ministro André Fufuca (PP), pré-candidato ao Senado, que poderá explorar sua passagem pelo governo Lula sem ser contestado pela direção nacional do PT.
O movimento tem raízes em uma reunião sigilosa realizada no final do ano passado, quando Lula recebeu Ciro Nogueira no Palácio do Planalto. Na ocasião, o senador sugeriu que poderia afastar o PP de Flávio Bolsonaro em troca de um acordo que viabilizasse sua reeleição no Piauí.
O objetivo declarado da articulação é consolidar um pacto de não agressão entre PT e candidatos do centrão, com vistas à participação dessas siglas em eventual gestão Lula 4. O custo político é real: aliados do presidente avaliam que a trégua pode conter críticas durante a campanha e abrir espaço para o centrão eleger candidatos próprios no lugar de nomes da esquerda, usando votos de eleitores lulistas no Nordeste.


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