No programa ‘Barão nas Eleições’ da TVT, Marina Silva, pré-candidata ao Senado por São Paulo pela federação Rede/PSOL, concedeu uma entrevista reveladora sobre os desafios da soberania nacional e da educação pública. Ao lado dos jornalistas Lourdes Nassif (GGN), Anderson Moraes (Empoderado) e Mário Vitor Santos (TV 247), a ex-ministra do Meio Ambiente traçou um diagnóstico preciso dos dois maiores gargalos do país: a exploração de terras raras e o colapso do ensino paulista.
Marina foi direta ao tratar dos minérios críticos, alvo da cobiça internacional. Ela defendeu que qualquer projeto de exploração deve passar por quatro filtros: ‘viabilidade econômica, viabilidade social, viabilidade ambiental e cultural é o que caracteriza a base para exploração de qualquer mineral crítico, de qualquer projeto’. A fala é uma resposta clara ao ‘liberou geral’ que setores entreguistas, alinhados a Donald Trump, tentam impor ao Brasil. ‘Evitar esse liberô geral que os entreguistas querem fazer para que empresas americanas, para que o governo americano venha a usufruir quase que de uma forma, quase não, de forma injusta e intervencionista nos territórios dos países que são detentores terras raras’, disparou. E completou com a defesa da soberania: ‘Isso quem tem que decidir é o país, e de forma soberana.’
A pré-candidata deixou claro que o governo Lula, ao contrário, busca parcerias equilibradas, sem submissão aos interesses imperialistas de Trump, que tenta a todo custo impedir acordos do Brasil com a China. Marina reafirmou seu compromisso com um desenvolvimento que una progresso econômico, justiça social e proteção ambiental — herança direta de Chico Mendes, que ela carrega como bandeira. Lourdes Nassif, do GGN, lembrou que a exploração de terras raras é estratégica para a transição energética e que o Brasil não pode repetir o modelo extrativista do passado. Anderson Moraes, do Empoderado, questionou sobre o papel das empresas estatais nesse processo, ao que Marina respondeu que a participação do Estado é fundamental para garantir que os benefícios fiquem no país.
Mas o momento mais tenso da entrevista veio quando Marina abordou a educação em São Paulo. Com dados contundentes, ela denunciou a ‘plataformização’ do ensino promovida pelo governo Tarcísio de Freitas. ‘O processo de plataformização que foi feito, numa tentativa de substituição praticamente do professor e de padronizar transmissão de conhecimento a partir do algarismo e fazendo com que as nossas crianças e os nossos jovens sejam tratados como se fossem todos iguais, todos homogêneos, isso tem levado a prejuízo e adoecimento’, afirmou. A crítica ecoa a luta dos professores paulistas, que há meses enfrentam a precarização e o adoecimento em sala de aula. Mário Vitor Santos, da TV 247, destacou que a plataformização é uma tendência mundial, mas que em São Paulo assume contornos dramáticos pela falta de investimento em infraestrutura e formação docente.
Os números são estarrecedores: ‘segundo as pesquisas, só 20% dos alunos que terminam o ensino básico, e eles têm conhecimento equivalente ao período estudado. E no ensino fundamental, 5% das crianças saem com conhecimento equivalente às séries estudadas.’ Marina contrastou esse desastre com o esforço federal de Lula e do ministro Camilo Santana, que tentam reverter o sucateamento herdado de governos anteriores. ‘A maior parte dos nossos jovens não querem fazer uma formação para uma profissão que eles estão sentindo que cada vez mais está ficando sem um lugar’, alertou, referindo-se à desvalorização do magistério. Ela lembrou que estados como Piauí, Espírito Santo e Ceará têm indicadores melhores que São Paulo, mostrando que o problema não é falta de recursos, mas de prioridades políticas.
Lourdes Nassif complementou que a educação paulista virou uma vitrine para o mercado, com empresas de tecnologia lucrando enquanto professores adoecem. Anderson Moraes lembrou que a gestão Tarcísio é herdeira do projeto de Doria, que já havia iniciado a terceirização do ensino. Marina concordou e disse que a pré-candidatura ao Senado é uma forma de levar essa denúncia ao Congresso e articular uma frente ampla em defesa da escola pública. Ela também destacou a importância de ouvir os movimentos sociais e os sindicatos, que têm sido protagonistas na resistência à plataformização.
A entrevista de Marina Silva no ‘Barão nas Eleições’ é um retrato da disputa de projetos no Brasil de 2026. De um lado, o entreguismo de Trump e a precarização promovida pela direita paulista; do outro, a defesa da soberania, do desenvolvimento sustentável e da educação de qualidade. Marina se coloca como a candidata que une essas lutas, representando a resistência ao imperialismo e a defesa dos direitos sociais e ambientais. Assista ao vídeo acima e confira na íntegra essa conversa imperdível.


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