A Corrente de Revolvimento Meridional do Atlântico (AMOC), sistema vital para a regulação do clima na Europa, está perdendo força em diferentes pontos do oceano, conforme indicam medições realizadas por boias especializadas.
Este mecanismo transporta água quente e salgada do Golfo do México para o Atlântico Norte, desempenhando papel crucial ao manter temperaturas mais amenas na Europa Ocidental em comparação com regiões como o Canadá ou a Rússia.
Dados recentes apontam para uma desaceleração preocupante, levantando temores de um possível colapso que poderia transformar drasticamente os padrões climáticos globais.
Estudos baseados em registros históricos de temperatura oceânica revelam que a AMOC perdeu cerca de 15% de sua intensidade desde 1950.
Modelos computacionais desenvolvidos por equipes de climatologistas internacionais sugerem que o sistema pode cessar completamente nas próximas décadas, caso as tendências atuais persistam.
Um estudo liderado por Qianjiang Xing, da Universidade de Miami, publicado em periódicos científicos no início de 2026, trouxe evidências mais robustas sobre o fenômeno.
De acordo com Xing, a circulação no Atlântico Ocidental está enfraquecendo de forma consistente, com sinais claros detectados em várias latitudes do Atlântico Norte.
Desde 2004, a Universidade de Miami, em parceria com outras instituições, mantém uma linha de boias entre as Bahamas e as Ilhas Canárias, conhecida como RAPID-MOCHA.
Esse sistema mede temperatura, salinidade e velocidade das correntes, permitindo estimar a pressão e o volume de água acumulado em cada lado do Atlântico.
Shane Elipot, também da Universidade de Miami, explica que os dados mais recentes do RAPID-MOCHA indicam uma redução no fluxo da AMOC de aproximadamente 90.000 metros cúbicos de água por segundo a cada ano.
Isso representa um declínio de cerca de 10% no período entre 2004 e 2023, uma taxa mais acelerada do que as observações anteriores sugeriam.
Esses números foram divulgados em relatório analisado por especialistas no dia 8 de abril de 2026, reforçando a gravidade da situação.
A principal causa apontada para o enfraquecimento é o influxo de água doce proveniente do derretimento da camada de gelo da Groenlândia.
Essa água menos salgada e menos densa interfere no processo de afundamento da corrente no Atlântico Norte, reduzindo o fluxo que retorna ao sul pelo fundo do oceano.
David Smeed, do Centro Nacional de Oceanografia do Reino Unido, destacou que dados coletados em quatro latitudes distintas no Atlântico Ocidental corroboram a tendência de declínio, aumentando a confiança dos cientistas de que a AMOC está, de fato, perdendo força.
As implicações são vastas, com potencial para provocar invernos muito mais rigorosos na Europa e perturbar sistemas de monções na Ásia e na África.
Os pesquisadores enfatizam que é fundamental ampliar as observações e refinar os modelos para prever com maior precisão o futuro da AMOC.
Segundo informações detalhadas pelo portal da Nature, que acompanha de perto os avanços na área, os dados atuais servem como alerta para a urgência de ações globais contra as mudanças climáticas.
Um colapso da AMOC não seria apenas um evento regional, mas um ponto de inflexão com consequências catastróficas para o equilíbrio climático do planeta, afetando bilhões de pessoas e ecossistemas inteiros.
Com informações de newscientist.com.


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