O sistema de pagamentos instantâneos brasileiro, Pix, já processa mais de 5 bilhões de transações por mês no Brasil — e é exatamente esse volume que incomoda Washington. O relatório anual de comércio dos EUA, divulgado pela Casa Branca em 1º de abril, acusa o Brasil de protecionismo, alegando que o Pix prejudica gigantes de cartões de crédito como Visa e Mastercard. Esta acusação não é isolada. Donald Trump, ex-presidente dos EUA, já ameaçou o Brasil com tarifas sobre exportações devido a esse sistema.
Em meio a esse cenário, o BRICS Pay surge como uma alternativa internacional inspirada no Pix, mas com tecnologia Blockchain. Lançado em fevereiro, o BRICS Pay busca integrar os sistemas financeiros dos países do bloco, permitindo transferências em moedas locais por meio de códigos QR, eliminando a necessidade do dólar. Este movimento é visto como uma tentativa de reequilibrar o comércio global, o que explica o desconforto de Trump.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu às críticas em um evento público, afirmando que o Pix é uma inovação brasileira que não será alterada por pressões externas. “O Pix é do Brasil e ninguém nos vai obrigar a mudá-lo”, declarou Lula, destacando o impacto positivo do sistema na sociedade brasileira.
A defesa do Pix não veio apenas do Brasil. Gustavo Petro, presidente da Colômbia, manifestou interesse em adotar o sistema em seu país, elogiando sua eficiência e criticando os mecanismos financeiros dos EUA. Petro também apontou que as sanções da OFAC, órgão do Tesouro dos EUA, são ineficazes no combate ao narcotráfico e servem como ferramenta de controle político.
Enquanto isso, Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e candidato nas eleições de 2026, teve que desmentir rumores de que acabaria com o Pix se eleito. Recentemente, ele participou da Conferência de Ação Política Conservadora nos EUA, onde pediu a intervenção de Trump e ofereceu terras raras brasileiras como alternativa à dependência chinesa.
O avanço do Pix e do BRICS Pay representa mais do que uma inovação tecnológica; é um desafio direto ao domínio econômico dos EUA. Ao promover sistemas de pagamento que evitam o uso do dólar, o Brasil e seus aliados do BRICS estão criando um novo campo de batalha digital, que pode redefinir as regras do comércio internacional. Segundo a DPL News, o que está em jogo não é tecnologia — é quem controla as regras do dinheiro. Se o BRICS Pay escalar, brasileiros e parceiros do bloco poderão comercializar sem pagar a “pedágio” do dólar em cada transação. Para o consumidor e o exportador brasileiro, isso significa menos custo de câmbio e menos exposição a sanções americanas. A briga pelo Pix é, na prática, uma briga pelo seu bolso.


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