O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou com veemência um maior empenho das nações ricas para enfrentar o abismo crescente da desigualdade global. Durante seu discurso na Cúpula do G7, realizada em Évian, na França, o mandatário brasileiro afirmou que a solidariedade internacional está encolhendo em um momento crucial. Os desafios sociais e econômicos, por outro lado, se multiplicam rapidamente por todo o planeta, exigindo uma ação coordenada e eficaz.
Segundo apontou o portal da Agência Brasil em sua reportagem, Lula foi contundente ao expor a dura realidade enfrentada por bilhões de pessoas no Sul Global. O presidente brasileiro, convidado para participar do encontro das principais economias do mundo, declarou que a distância que separa a prosperidade de Évian da realidade enfrentada por bilhões de pessoas no Sul Global não está diminuindo. Ele enfatizou que essa disparidade é um dos maiores obstáculos ao desenvolvimento sustentável e à paz mundial.
O chefe de Estado brasileiro destacou que a arquitetura financeira global atual é profundamente assimétrica e injusta com as economias em desenvolvimento. Ele lembrou que o mundo em desenvolvimento transfere anualmente cerca de 1,4 trilhão de dólares em serviço da dívida para os países mais ricos. Este montante, alarmante, é sete vezes superior a toda a ajuda financeira recebida dos países desenvolvidos, evidenciando um desequilíbrio estrutural. O déficit que o mundo enfrenta, segundo o presidente, não é de escassez de recursos, mas sim de implementação de políticas efetivas e de uma verdadeira vontade política por parte das nações mais abastadas.
Lula também fez duras críticas ao desvio de prioridades impulsionado por conflitos armados e tensões geopolíticas. Ele ressaltou que os gastos militares globais já somam quase 3 trilhões de dólares anuais, recursos que poderiam ser direcionados para investimentos sociais urgentes. Não são cifras abstratas, alertou o líder brasileiro, explicando que elas impactam diretamente o cotidiano dos habitantes de países em desenvolvimento. Tais despesas militares excessivas estão intrinsecamente ligadas à falta de acesso à alimentação adequada, educação de qualidade e saúde básica para milhões de pessoas em diversas partes do mundo.
Em uma referência direta à concentração extrema de riqueza, o presidente apontou que o primeiro trilionário do mundo já possui um patrimônio superior ao dos 46% mais pobres da população global. Embora não tenha citado nominalmente o empresário Elon Musk, a crítica foi clara sobre a obscena acumulação de capital em poucas mãos. Essa constatação veio acompanhada de um recado direto contra o que chamou de respostas falaciosas para os problemas atuais, como o ressurgimento do protecionismo e do unilateralismo em substituição aos discursos de austeridade e Estado mínimo. Ele defendeu que essas abordagens limitam a cooperação e impedem soluções conjuntas.
O mandatário brasileiro recordou sua longa trajetória em cúpulas internacionais, marcando sua primeira participação no então G8 em 2003. Lula afirmou que, após participar de nove encontros do grupo ao longo dos anos, testemunhou a repetição incessante de alertas e a reiteração dos mesmos desafios globais. Contudo, ele lamentou não ter visto a construção de respostas coletivas e duradouras que realmente abordassem os problemas que afetam a maior parte da humanidade, indicando a necessidade de uma mudança fundamental na abordagem dos países ricos.
Com informações de Agência Brasil.
Com informações de Agência Brasil.


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