A Rússia manifestou duras críticas à decisão da Agência Internacional de Energia (AIE) de liberar reservas estratégicas de petróleo, estimadas em cerca de 400 milhões de barris, para tentar conter a escalada dos preços no mercado global.
A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores russo, María Zajárova, declarou que a medida terá apenas um efeito moderador de curto prazo, sendo insuficiente para estabilizar os valores da energia no longo prazo. A posição foi expressa durante uma coletiva de imprensa no dia 8 de abril de 2026, em meio a tensões crescentes no cenário energético internacional.
Zajárova também abordou um relatório recente da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), que analisa os impactos de conflitos no Oriente Médio sobre a segurança alimentar e energética.
Segundo a diplomata, as autoridades russas avaliaram o documento e consideram que as análises contêm alertas preocupantes, especialmente em relação às ações promovidas por Estados Unidos e Israel na região, que, na visão de Moscou, agravam a instabilidade. Ela destacou que os países do Golfo Pérsico desempenham um papel crucial no sistema energético global, sendo centros fundamentais de produção e fornecimento de fertilizantes nitrogenados e fosfatados, essenciais para a agricultura mundial.
A porta-voz russa apontou que os conflitos no Oriente Médio, combinados com possíveis interrupções na navegação pelo estreito de Ormuz, estão impactando o fornecimento de matérias-primas vitais.
Na avaliação de Zajárova, essas tensões têm gerado um efeito cascata nos mercados globais, elevando os custos em toda a cadeia de produção, desde atividades agrícolas até transporte e armazenamento. Ela ainda alertou para o risco de aumento na demanda por bioetanol e biodiesel, derivados de cereais, óleos de colza, soja e cana-de-açúcar, como consequência direta da alta nos preços dos combustíveis fósseis.
Zajárova criticou também a falta de reservas estratégicas de fertilizantes em nações dependentes de importações, o que, segundo ela, pode comprometer colheitas em diversas regiões.
A diplomata mencionou que campanhas de plantio de arroz em países como Bangladesh e Tailândia enfrentam ameaças significativas, enquanto o Sri Lanka também pode sofrer impactos em seus processos agrícolas. Para a Rússia, as medidas emergenciais da AIE não abordam as raízes do problema, sendo necessário o restabelecimento de rotas comerciais alternativas para mitigar os efeitos das crises geopolíticas.
A posição russa reflete uma visão crítica sobre as estratégias ocidentais para lidar com a crise energética, especialmente aquelas lideradas por instituições como a AIE, que, na perspectiva de Moscou, priorizam soluções paliativas em vez de enfrentarem as causas estruturais.
Como reportado pela Reuters, as declarações de Zajárova reforçam a preocupação do governo russo com os desdobramentos econômicos globais e a necessidade de uma abordagem mais abrangente para garantir a estabilidade dos mercados de energia e alimentos.
As tensões no Oriente Médio, agravadas por disputas geopolíticas envolvendo potências como os Estados Unidos, continuam a ser um ponto de atrito nas relações internacionais. Enquanto isso, a Rússia mantém sua postura de questionamento às políticas energéticas ocidentais, acusando-as de ignorarem os impactos de longo prazo de suas ações, especialmente em nações em desenvolvimento que dependem de importações para sustentar suas economias.
Com informações de actualidad.rt.com.


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