Os BRICS estão intensificando suas reservas de ouro, acumulando 663 toneladas apenas nos primeiros nove meses de 2025, o que equivale a cerca de 91 bilhões de dólares. Este movimento estratégico levou o bloco a atingir um marco significativo de 6.000 toneladas, representando 17,4% das reservas globais dos bancos centrais. Em comparação, em 2019, essa participação era de apenas 11,2%. Segundo dados do World Gold Council, os bancos centrais do bloco adquiriram 1.045 toneladas de ouro em 2024, marcando o terceiro ano consecutivo em que a compra supera a marca de 1.000 toneladas.
Rússia, China e Índia são os principais responsáveis por essa acumulação. A Rússia detém 2.335,85 toneladas, enquanto a China possui 2.298,53 toneladas, com a Índia contribuindo com 879,98 toneladas. Juntas, Rússia e China representam 74% das reservas de ouro dos BRICS, evidenciando uma estratégia coordenada de diversificação de ativos de reserva.
A aceleração na compra de ouro demonstra um reposicionamento estratégico diante das incertezas monetárias e tensões geopolíticas. Este movimento reflete um questionamento crescente sobre o papel do dólar nas transações internacionais e uma busca por reduzir a dependência do sistema financeiro dominado pela moeda americana.
No longo prazo, essa estratégia pode catalisar o surgimento de um sistema financeiro multipolar, onde o ouro, moedas locais e ativos alternativos desempenham papéis centrais. As escolhas dos BRICS têm o potencial de influenciar as políticas monetárias globais e redesenhar as relações de poder econômico.
E daí? Se o dólar perder espaço como moeda de reserva global, o custo de importações, câmbio e crédito internacional muda — e o Brasil, sócio dos BRICS, está no centro dessa disputa. Acompanhar esse movimento não é geopolítica abstrata: é entender quem vai ditar as regras do dinheiro na próxima década.