A economia digital africana pode chegar a US$ 712 bilhões até 2050 — e os governos do continente estão apostando em polos tecnológicos para não perder essa janela. Segundo a SFI e o Google, já em 2025 o setor pode representar 5,2% do PIB africano, movimentando US$ 180 bilhões. Essa projeção tem incentivado governos a investir em espaços dedicados que concentram startups, centros de pesquisa, universidades e grandes empresas.
Na capital queniana, Nairobi, apelidada de ‘Silicon Savannah’, o ecossistema de inovação é fortemente estruturado em torno da fintech e dos serviços móveis. O sucesso do M-Pesa, um serviço de pagamento móvel, transformou o Quênia em um dos mercados mais avançados em pagamentos digitais. O projeto Konza Technopolis, uma cidade tecnológica em desenvolvimento, exemplifica essa ambição com investimentos de longo prazo na casa dos bilhões de dólares.
No oeste do continente, Lagos, na Nigéria, se destaca como o principal centro tecnológico da África, concentrando o maior volume de aportes de venture capital do continente. Iniciativas como Itana e a Ekiti Knowledge Zone estão moldando ambientes propícios para inovação e atração de empresas tecnológicas. Kigali, em Ruanda, também se destaca com o projeto Kigali Innovation City, que pretende reunir universidades, centros de pesquisa e empresas em um ecossistema integrado, sustentado por políticas públicas favoráveis.
Outros países africanos estão seguindo essa tendência. No Marrocos, o Casa Tech Valley, em Casablanca, está prestes a ser lançado, visando estruturar um hub tecnológico que aproveite o ecossistema existente e atraia investimentos de alto valor agregado. No Benin, Sèmè City já é um modelo operacional, combinando formação, empreendedorismo e pesquisa em um único espaço. Espera-se que até 2030, a cidade forme pelo menos 130 mil graduados e crie mais de 100 mil empregos.
De acordo com o International Trade Centre, a África contava com mais de 1.000 hubs tecnológicos em 2024, um salto significativo em relação aos menos de 600 registrados pela GSMA em 2019. Essa expansão reflete uma mudança estratégica, com os Estados investindo em infraestruturas que estruturam ecossistemas completos, atraindo recursos e investimentos. Esses polos se tornam fundamentais para sustentar a inovação durável e aumentar a competitividade africana no cenário digital global. Leia mais sobre o tema aqui.
Esses polos tecnológicos na África não apenas transformam o continente em um jogador importante na economia digital global, mas também oferecem um modelo de desenvolvimento sustentável que pode inspirar outras regiões em desenvolvimento. Ao concentrar inovação e talento, esses hubs têm o potencial de mudar a dinâmica econômica e social, promovendo um crescimento inclusivo e sustentável.