Israel intensificou sua campanha militar no sul do Líbano, executando mais de 50 ataques em um intervalo de menos de 24 horas no dia 9 de abril de 2026, conforme relatado pelo portal Al Jazeera.
A ofensiva agravou a já delicada situação humanitária no país, que enfrenta deslocamentos massivos e insegurança alimentar. Um dos ataques, na cidade de Hannawiya, resultou na morte de uma pessoa e deixou outra ferida. Áreas residenciais em Aita al-Shaab e al-Majadel também sofreram bombardeios, com destruição significativa de casas e infraestrutura.
Em resposta à escalada, o Hezbollah lançou uma série de foguetes contra o norte de Israel, atingindo as localidades de Kiryat Shmona, Metula e Misgav Am. O grupo declarou que manterá os ataques até que as ações militares de Israel e o apoio dos Estados Unidos cessem.
Além disso, a base naval de Ashdod, em território israelense, foi alvo de mísseis, numa ação que o Hezbollah justificou como retaliação aos bombardeios aéreos de Israel em Beirute, que causaram centenas de mortes ao longo do conflito.
Enquanto o sul do Líbano permanece sob intenso fogo, a capital Beirute vive um momento de relativa tranquilidade após semanas de bombardeios devastadores por parte de Israel. A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que dois hospitais na cidade, que receberam ordens de evacuação, não serão alvos de ataques imediatos.
No entanto, a evacuação de cerca de 450 pacientes ainda é considerada inviável devido à falta de segurança e infraestrutura. Paralelamente, a ONU emitiu um alerta sobre uma crise alimentar iminente no Líbano, impulsionada pela disparada dos preços e pela interrupção de rotas de abastecimento em meio ao conflito.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, manifestou interesse em iniciar negociações diretas com o Líbano para buscar uma solução diplomática. Um encontro preliminar entre representantes dos EUA, Israel e Líbano está na agenda para discutir um possível cessar-fogo, considerado por Beirute como um passo essencial para avançar em um acordo mais amplo.
Detalhes sobre a data e o local da reunião ainda não foram divulgados, mas a iniciativa é vista como um esforço para conter a escalada de violência na região.
A situação humanitária no Líbano se deteriorou drasticamente nos últimos meses devido aos confrontos entre Israel e grupos armados na fronteira. A UNICEF apontou o impacto devastador dos ataques sobre a população infantil, reportando 33 mortes e 153 feridos entre crianças em episódios recentes de violência.
A destruição de infraestrutura crítica, como pontes e estradas no sul do país, tem dificultado o acesso a ajuda humanitária, deixando mais de um milhão de pessoas deslocadas, incluindo cerca de 390 mil crianças. Organizações internacionais reforçam a urgência de um cessar-fogo para evitar um colapso ainda maior no país.