Moradores de São Paulo temem represálias da PM após morte de mulher no dia 3 de abril

Imagem gerada por IA pelo Flux Pro (fal.ai), a partir de prompt do Cafezinho. 11/04/2026 17:11

A morte de Thawanna Salmázio, baleada durante uma discussão com policiais militares na zona leste de São Paulo no dia 3 de abril, continua a gerar tensão entre os moradores da região.

Passados oito dias do incidente, testemunhas relatam que viaturas da Polícia Militar têm rondado suas casas de forma insistente, especialmente a partir do dia 11 de abril, o que intensifica o receio de possíveis retaliações por parte das forças de segurança.

Erick Levy, uma das testemunhas presentes no momento do ocorrido, declarou que os policiais teriam iniciado as agressões e que a agente Yasmin Cursino Ferreira chegou a insultar Thawanna antes de efetuar o disparo fatal.

O advogado Wilson Ferreira, que representa Luciano Santos, marido de Thawanna, informou que outro morador presenciou o momento do tiro, mas evita se manifestar publicamente por temor de sofrer consequências.

O artista plástico Vinicius Santos descreveu um cenário de intimidação, relatando que veículos das forças especiais passam com frequência em frente à sua residência, muitas vezes com homens armados e encapuzados a bordo, o que tem deixado a comunidade em estado de alerta constante.

O caso está sendo investigado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), que instaurou um procedimento independente para analisar imagens gravadas no local e coletar depoimentos de testemunhas.

A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) foi procurada para comentar as denúncias de represálias relatadas pelos moradores, mas até o momento não apresentou posicionamento oficial sobre o assunto.

Luciano Santos relatou ter sido impedido de acompanhar Thawanna ao hospital logo após o disparo. Segundo ele, os agentes o contiveram fisicamente, utilizaram spray de pimenta contra ele e ameaçaram atirar caso tentasse se aproximar da esposa.

O boletim de ocorrência classifica a morte como resultado de intervenção policial, mas Luciano contesta a versão oficial e nega ter oferecido qualquer resistência durante a ação.

De acordo com o portal UOL, a advogada da família de Thawanna, Viviane Leme, está à disposição para formalizar denúncias contra qualquer tipo de coação por parte dos agentes de segurança.

Ela também orientou os moradores a registrarem formalmente qualquer conduta suspeita ou intimidatória que venham a presenciar. A investigação segue em andamento, com a sociedade civil e organizações de direitos humanos acompanhando de perto os desdobramentos, na expectativa de que os responsáveis sejam devidamente identificados e punidos.

A morte de Thawanna Salmázio expõe as tensões entre a população de periferias e as forças de segurança em São Paulo, reacendendo debates sobre o uso da força policial e a necessidade de maior transparência nas ações da corporação.

Enquanto as apurações não chegam a uma conclusão, os moradores da zona leste permanecem apreensivos, temendo que a busca por justiça possa trazer ainda mais riscos à sua segurança.

Redação:
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