Crise no estreito de Ormuz dispara preços do gás natural e do carvão térmico

Imagem gerada por IA pelo Flux Pro (fal.ai), a partir de prompt do Cafezinho. 13/04/2026 09:01

A interrupção do trânsito pelo estreito de Ormuz provocou forte aumento nos preços do gás natural licuado e do carvão térmico nos mercados da Ásia e da Europa.

Os preços spot do GNL na Ásia mais que dobraram, atingindo cerca de 22,50 dólares por milhão de unidades térmicas britânicas, ante 10,40 dólares da semana anterior.

Na Europa, os contratos de gás natural referenciados ao hub TTF dispararam para 46 euros por megawatt-hora, marcando alta próxima de 50 por cento em uma única sessão.

Esses movimentos acompanham o avanço do carvão térmico, que registra os maiores níveis em 12 a 14 meses, impulsionado pela busca de alternativas por geradoras diante da escassez e do custo elevado do gás.

Parte significativa da crise teve origem no ataque de drones ao complexo de Ras Laffan da QatarEnergy, que forçou a paralisação da produção de GNL. A instalação representa uma das maiores do mundo e responde por cerca de 20 por cento do suprimento global do combustível.

O estreito de Ormuz se tornou praticamente intransitável ao tráfego comercial de gás e petróleo, agravando as interrupções já em curso.

Governos europeus e asiáticos reagiram com imediata flexibilização das políticas energéticas. Na Ásia, países como Japão, Tailândia, Vietnã e Filipinas ampliaram a geração com carvão doméstico e reduziram o uso de gás para evitar apagões e conter custos.

Na Europa, os níveis de armazenamento de gás caíram para patamares perigosamente baixos — abaixo de 25 a 30 por cento —, reduzindo a margem de resposta a choques externos.

Analistas do Goldman Sachs alertam que os preços do gás europeu podem subir até 130 por cento caso o bloqueio persista por um mês completo, o que levaria as cotações ao entorno de 74 euros por megawatt-hora.

A Rystad Energy estima que uma interrupção prolongada colocaria o GNL próximo de 30 dólares por milhão de unidades térmicas britânicas ainda neste ano.

O petróleo Brent já superou os 100 dólares por barril, enquanto o gás TTF ultrapassou os 47 euros por megawatt-hora, refletindo a crescente incerteza entre investidores e consumidores.

Aeroportos europeus alertaram que podem enfrentar escassez de combustível em três semanas caso o estreito de Ormuz não retome operação normal.

No terreno político-militar, após trégua inicial, os Estados Unidos anunciaram novo bloqueio naval ao estreito, elevando a pressão sobre Teerã. O Irã declarou que exercerá autoridade plena sobre a gestão do passo marítimo e que qualquer tentativa de passagem de buques militares será respondida com severidade, conforme detalhou o portal RT.

O recurso crescente ao carvão para geração elétrica, já observado na Ásia, pode se estender à Europa se a alta do gás persistir. Embora mitigue crises imediatas, a decisão aprofunda a dependência de combustíveis fósseis mais poluentes e contraria compromissos climáticos de diversos países.

A espiral ascendente nos preços do gás natural e do carvão térmico revela a vulnerabilidade dos mercados globais de energia diante da instabilidade no Oriente Médio. Se prolongada, a crise no estreito de Ormuz tende a reconfigurar estruturas de suprimento, afetar a transição energética e impor custos duradouros a economias dependentes de importações.

Com informações de actualidad.rt.com.


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