O chanceler turco Hakan Fidan acusou Israel de se preparar para designar a Turquia como seu próximo adversário regional, uma vez que o foco sobre o Irã diminua.
Em declarações recolhidas pela agência Anadolu, o ministro das Relações Exteriores afirmou que a política israelense na região não consegue se sustentar sem a figura permanente de um inimigo.
Fidan relacionou a escalada de tensões no Oriente Médio, especialmente as operações militares israelenses em território sírio e libanês, a uma estratégia mais ampla de redefinição de alvos de conflito.
Segundo o ministro, Tel Aviv busca novos adversários para substituir o Irã e manter sua lógica de confrontação regional ativa.
A Turquia tem defendido insistentemente a criação de um mecanismo regional de segurança que respeite a soberania dos Estados, a integridade territorial e as necessidades legítimas de defesa nacional de cada país.
O objetivo declarado é reduzir as fricções atuais e estabelecer bases mais duradouras de estabilidade.
Em conversa com a Associated Press, Fidan reiterou que Ancara prefere permanecer à margem do confronto direto entre Israel e o Irã.
No entanto, o chanceler observou que enquanto Benjamin Netanyahu permanecer no poder em Israel, o país tenderá a identificar permanentemente um novo inimigo para justificar suas ações.
As declarações turcas ganham relevância diante de posições expressas por figuras israelenses. O ex-primeiro-ministro Naftali Bennett afirmou que Israel poderia se ver forçado a confrontar a Turquia caso Ancara continue expandindo sua influência na Síria, em Gaza e em outros pontos estratégicos da região.
Bennett chegou a classificar a Turquia como o novo Irã do ponto de vista de Jerusalém.
Analistas indicam que rotular Ancara como principal ameaça carrega o risco de provocar respostas firmes da Turquia, que tem acelerado a produção de sistemas de defesa aérea e o reforço geral de seu aparato militar exatamente para dissuadir possíveis hostilidades.
O país ocupa posição delicada como membro da OTAN, mantendo relações comerciais relevantes com o Ocidente ao mesmo tempo em que exerce influência significativa na Eurásia e atua como mediador em crises do Oriente Médio.
Uma eventual designação formal da Turquia como inimigo por Israel poderia abrir caminho para confrontos diretos, agravamento de tensões diplomáticas ou reativação de alianças militares específicas.
Conforme noticiou o Hurriyet Daily News, as advertências de Fidan expõem uma lógica recorrente em conflitos prolongados, na qual a necessidade estratégica de um adversário serve para legitimar operações militares, fortalecer parcerias externas e manter mobilizado o apoio interno.
Fidan alertou ainda sobre os riscos graves que qualquer interrupção nas rotas marítimas estratégicas, especialmente no estreito de Ormuz, representaria para a estabilidade econômica global.
A posição oficial de Ancara rejeita a busca por confronto, mas reafirma a determinação de proteger seus interesses nacionais e sua segurança fronteiriça.
Essa troca de advertências entre Ancara e Jerusalém revela a fragilidade do atual equilíbrio regional. A Turquia acelera seus preparativos defensivos enquanto critica duramente a tendência israelense de fabricar sucessivos inimigos para sustentar sua postura agressiva no Oriente Médio.
Com informações de actualidad.rt.com.
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