Kepler ativa maior cluster de computação orbital com 40 processadores Nvidia interligados por laser

Imagem gerada por IA pelo Flux Pro (fal.ai), a partir de prompt do Cafezinho. 13/04/2026 05:31

A canadense Kepler Communications ativou o maior cluster de computação orbital já colocado em operação. O sistema reúne cerca de 40 processadores Nvidia Orin distribuídos em 10 satélites operacionais permanentemente conectados por enlaces a laser.

A estrutura já atende 18 clientes comerciais e marca a passagem da computação espacial da fase experimental para a operacional. Segundo o portal TechCrunch, o cluster permite que múltiplas unidades funcionem como um sistema distribuído de alto desempenho.

A startup Sophia Space firmou parceria para testar seu sistema operacional espacial em um dos satélites do cluster. A iniciativa configura pela primeira vez software gerencial em seis GPUs distribuídas por duas naves distintas em órbita.

A Sophia Space desenvolve computadores orbitais com refrigeração passiva, solução essencial para dissipar calor no vácuo sem sistemas ativos pesados que aumentam massa e consumo energético. Seu conjunto modular TILE integra geração solar, isolamento térmico por radiação e módulos projetados para executar inferência de inteligência artificial de forma contínua.

A empresa, fundada em 2023 pelo ex-pesquisador da NASA JPL doutor Leon Alkalai e pelo CEO Rob DeMillo, fechou recentemente rodada seed de 10 milhões de dólares liderada por Alpha Funds, KDDI Green Partners Fund e Unlock Venture Partners. Os recursos aceleram o desenvolvimento dos sistemas de edge computing orbital, com lançamento próprio previsto para o final de 2027.

A Kepler, por sua vez, não se posiciona como operadora de data centers espaciais convencionais, mas como provedora de infraestrutura crítica de rede e processamento para satélites de terceiros, drones, aviões e sensores avançados como radar de abertura sintética.

O principal ganho imediato está no processamento dos dados diretamente em órbita. Essa abordagem analisa informações no local onde são geradas, acelera respostas úteis e reduz drasticamente o volume transmitido para estações terrestres, cortando custos de downlink e latência.

Especialistas consultados indicam que centros de dados orbitais em larga escala, idealizados por empresas como SpaceX ou Blue Origin, só devem se tornar realidade na década de 2030. Até lá, o foco permanece no edge computing espacial, especialmente valioso para missões militares e científicas que exigem precisão e rapidez imediatas.

Os testes da Sophia Space nos satélites da Kepler concentram atenção em dois desafios técnicos centrais. O primeiro é o gerenciamento térmico passivo eficiente, que impede as GPUs de superaquecerem no ambiente extremo do espaço. O segundo envolve a latência das comunicações por enlaces a laser entre as diferentes naves do cluster.

Superar esses obstáculos valida a viabilidade de sistemas distribuídos de inteligência artificial operando de forma coordenada fora da atmosfera.

A ativação do cluster e o progresso dos testes de inferência de IA consolidam capacidades computacionais que transformam o ambiente orbital em plataforma prática para aplicações complexas. O processamento local de dados em satélites interligados abre caminho para operações mais autônomas em observação da Terra, defesa, pesquisa científica e monitoramento em tempo real.

Com a parceria entre Kepler e Sophia Space, o setor demonstra que a infraestrutura digital pode se expandir de forma efetiva para além dos limites terrestres, utilizando tecnologias já disponíveis em órbita.


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