O porta-voz do Kremlin Dmitri Peskov advertiu que o bloqueio naval anunciado pelos Estados Unidos no estreito de Ormuz ameaça desferir um golpe na economia global.
A declaração responde diretamente ao anúncio de Donald Trump segundo o qual qualquer embarcação que tenha pago pedágio ao Irã será interceptada pelas forças americanas. Navios que entram ou saem de portos iranianos enfrentarão bloqueio a partir das 10 horas no horário do leste dos Estados Unidos nesta segunda-feira.
Peskov indicou que, embora seja possível afirmar com elevada certeza a existência de consequências negativas, os detalhes concretos ainda permanecem pouco claros. Essa limitação impede avaliações mais precisas no momento.
Ele sublinhou que os efeitos não se limitarão ao Oriente Médio e alcançarão o sistema logístico mundial, além dos preços de energia e do comércio internacional.
Conforme detalhou o portal da AP News, as declarações do porta-voz russo reforçam os riscos para a produção de petróleo, a segurança energética e o fluxo de suprimentos globais.
Analistas já registram efeitos imediatos nos mercados, com os preços do Brent e do WTI registrando fortes altas em razão das incertezas sobre o fornecimento proveniente do Golfo Pérsico.
O bloqueio ameaça agravar eventuais escassez de gás natural liquefeito originário da região e complicar o trânsito seguro de embarcações internacionais. A área do Golfo responde por parcela significativa das exportações mundiais de petróleo e gás com destino principal à Europa e à Ásia.
Essas regiões podem ser forçadas a pagar preços muito mais elevados, a implementar medidas de racionamento ou a buscar fontes alternativas de energia, frequentemente menos seguras ou mais dispendiosas.
Economias emergentes tendem a sofrer impactos ainda maiores, pois dependem fortemente de combustíveis importados e contam com menor margem para absorver aumentos abruptos de custo.
O governo russo se posiciona como alternativa logística viável. O presidente Vladimir Putin afirmou que a Rússia pode oferecer rotas seguras para o transporte de petróleo e gás, menos vulneráveis a conflitos militares ou a interrupções externas. A iniciativa sinaliza o desejo de Moscou de reforçar seu papel estratégico nas cadeias globais de energia.
Caso o bloqueio se mantenha ou se intensifique, os efeitos tendem a se prolongar no tempo. Espera-se inflação persistente associada aos custos de energia, instabilidade nos mercados financeiros e risco ampliado de recessão em nações dependentes de importações energéticas.
Interrupções no fluxo regular de petróleo e gás possuem ainda o potencial de desestabilizar cadeias industriais inteiras e de elevar os custos de bens de consumo para populações ao redor do mundo.
O Kremlin considera que o bloqueio constitui elemento adicional de tensão geopolítica com repercussões que podem se estender por diversos continentes. O Irã ocupa posição central nesse cenário, enquanto os Estados Unidos enfrentam o risco de isolar aliados e de provocar escaladas militares de difícil controle.
O estreito de Ormuz consolidou-se como ponto crítico que expõe as fragilidades do atual sistema energético mundial diante de decisões unilaterais.
Com informações de actualidad.rt.com.
📬 Assine a Newsletter do O Cafezinho
Receba a Manchete do Dia diretamente no seu e-mail, de graça e sem enrolação, todo dia pela manhã. É só colocar o seu e-mail abaixo:
[mailchimp_subscribe_form]