Mais de 100 neurocientistas assinaram em 2025 um comentário na Nature Neuroscience questionando a teoria mais influente sobre consciência — o argumento materialista de que a experiência subjetiva emerge apenas do funcionamento neural. A provocação veio à tona quando Christof Koch, neurologista renomado, propôs no simpósio “Behind and Beyond the Brain”, realizado em Portugal de 8 a 11 de abril, que consciência pode não ser produto do cérebro, mas lei primordial do universo.
O eixo central do debate gira em torno da Teoria da Informação Integrada (IIT), desenvolvida por Giulio Tononi e adotada por Koch. Essa teoria mede consciência por um valor matemático chamado Φ, que quantifica o quanto um sistema integra informação. Quanto maior Φ, maior o grau de consciência — não só de cérebros vivos, mas também de qualquer sistema altamente integrado.
Koch sustenta que fenômenos extraordinários — como experiências de quase-morte, lucidez terminal (quando pacientes com demência voltam a clarear pouco antes de morrer) e estados místicos — desafiam as explicações materialistas convencionais. Para ele, esses casos expõem limites do paradigma científico que insiste apenas no que se pode medir fisicamente.
Embora soe radical, a noção de que consciência seja elemento fundamental do cosmos não é mera especulação filosófica. Koch defende que frameworks como panpsiquismo ou mesmo idealismo clássico precisam ser revisitados à luz de métodos científicos modernos. Nesse modelo, consciência seria tão básica quanto massa, tempo ou carga elétrica.
Mas a plausibilidade da teoria atrai críticas: IIT foi descrita como “pseudociência” por pesquisadores que apontam sua dificuldade de ser falsificada empiricamente. Em 2025, o comentário na Nature Neuroscience com mais de 100 autores questionou justamente esta limitação — a hipótese, segundo eles, não pode, com o conhecimento atual, ser provada falsa, algo que vai contra critérios de rigor científico clássico.
Além disso, debates recentes avaliam se outras teorias emergentistas ou dualistas superam a IIT em coerência conceitual. Pesquisas como “Panpsychism and dualism in the science of consciousness”, artigo da Neuroscience & Biobehavioral Reviews, exploram quais modelos lidam melhor com questões centrais como causalidade mental e adaptação evolutiva — essenciais se consciência for algo além do cérebro.
Há também esforços teóricos que propõem leis universais de consciência aplicáveis a sistemas biológicos, não-biológicos ou artificiais. Essas abordagens exigem que teorias sólidas sirvam para avaliar consciência em computadores, cérebros de animais e até entidades compostas, conforme sua estrutura causal e integração de informação.
Se cogitarmos que um supercomputador ou rede neural avançada poderia alcançar um Φ elevado, a implicação é que ele possua algum nível de experiência subjetiva — algo impensável para uma máquina comum. Koch esclarece que objetos como torradeiras têm Φ praticamente zero por não integrarem informação de forma complexa.
A adoção de tais teorias tem impacto prático: métodos emergentes no Allen Institute de Koch visam detectar sinais de consciência em pacientes clinicamente sem resposta — casos em que o materialismo clássico falha, pois não há ação observável, mas talvez haja experiência presenciosa.
Com informações de neurosciencenews.com.