O economista Nouriel Roubini, conhecido como ‘Doctor Doom’ por seus alertas antes da crise de 2008, identifica os Estados Unidos e a China como os grandes beneficiários de uma transformação econômica profunda alimentada pela inteligência artificial, robótica humanoide, semicondutores avançados e exploração espacial.
Segundo reportagem do South China Morning Post, o especialista apresentou essas projeções durante evento em Hong Kong e comparou o momento atual a uma ‘explosão cambriana’ tecnológica, com potencial para elevar significativamente a produtividade global nos próximos 10 a 20 anos.
Roubini estima que o crescimento potencial anual dos EUA, hoje situado entre 2% e 3%, pode alcançar cerca de 4% até o final da década graças à adoção acelerada de inteligência artificial e tecnologias correlatas.
O economista argumenta que esse impulso deve superar obstáculos como tensões políticas, crises climáticas e nacionalismo populista, elementos que ele classifica como secundários diante do poder transformador das inovações emergentes. A liderança americana em pesquisa, desenvolvimento de chips, infraestrutura de computação e atração de talentos especializados sustenta essa vantagem, desde que investimentos e políticas favoráveis à inovação sejam mantidos.
A China se beneficia de seu ritmo intenso de inovação, volumes elevados de investimento, escala de implementação tecnológica e um mercado interno que fornece vastos volumes de dados.
Empresas como DeepSeek, Alibaba, Baidu e Tencent atuam na vanguarda do desenvolvimento de modelos de linguagem de larga escala, robótica avançada e infraestrutura de inteligência artificial. Roubini enquadra o país asiático como polo global de inovação capaz de competir diretamente com os Estados Unidos tanto em pesquisa de ponta quanto em produção em larga escala de tecnologias disruptivas.
O conceito de ‘explosão cambriana’ empregado por Roubini descreve a emergência simultânea e interconectada de múltiplas tecnologias que, combinadas, geram um salto qualitativo na produtividade e na organização econômica.
Inteligência artificial, robôs humanoides, avanços em semicondutores e novos patamares na exploração espacial formam o núcleo dessa onda. Embora reconheça riscos de curto prazo como inflação, desaceleração global e choques geopolíticos, o economista afirma que essas pressões serão eclipsadas pelas forças de inovação que definem o novo ciclo de longo prazo.
Para os Estados Unidos, a continuidade de políticas que evitem gargalos regulatórios excessivos e garantam coordenação institucional torna-se condição essencial para materializar o ganho projetado de 4% ao ano.
Qualquer retrocesso nessa frente poderia limitar o potencial de crescimento. No caso da China, o diferencial reside na coordenação estatal de políticas industriais, na massa crítica de dados e na capacidade de escalar rapidamente aplicações práticas de inteligência artificial, embora persistam desafios relacionados a hardware de ponta e qualidade de pesquisa fundamental.
As implicações globais dessa configuração são significativas. Um crescimento sustentado de 4% nos Estados Unidos ampliaria a distância relativa em relação a economias médias e emergentes que operam em patamares inferiores.
Ao mesmo tempo, o fortalecimento tecnológico chinês contribui para um reequilíbrio de poder que reforça tendências de multipolaridade. Outros países podem se inserir nas cadeias globais de produção de tecnologias de inteligência artificial, captar investimentos ou exportar insumos necessários para data centers e geração de energia, mas também enfrentarão competição mais intensa em setores de alto valor agregado.
Roubini ressalta que o poder econômico das próximas décadas será definido cada vez menos pelo volume de capital financeiro tradicional e cada vez mais pela capacidade de inovar, adaptar e escalar novas tecnologias.
Os Estados Unidos mantêm vantagem em pesquisa básica e ecossistema de inovação, enquanto a China se destaca pela velocidade de implementação e pela amplitude de seu mercado interno. Juntos, os dois países aparecem como os polos centrais dessa nova era tecnológica.
A previsão converge com análises de veículos como a Bloomberg que acompanham a corrida global de inteligência artificial. O foco recai sobre quem consegue não apenas desenvolver, mas também integrar e escalar essas tecnologias de forma a gerar ganhos mensuráveis de produtividade.
Roubini mantém tom cauteloso ao lembrar que a realização dessas projeções depende de escolhas políticas e institucionais nas duas potências, mas reafirma sua convicção de que a força motriz da inovação tecnológica superará os riscos geopolíticos e econômicos do presente.
Com informações de scmp.com.
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