ONU alerta: guerra de EUA e Israel contra o Irã pode lançar 32 milhões na pobreza global

Imagem gerada por IA pelo Flux Pro (fal.ai), a partir de prompt do Cafezinho. 13/04/2026 16:21

O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento alertou que a guerra entre os EUA e Israel contra o Irã ameaça empurrar até 32 milhões de pessoas para a pobreza em todo o mundo.

A estimativa abrange 162 países, com o impacto mais severo recaindo sobre economias de baixa renda altamente dependentes de importações de energia e alimentos.

Conforme detalhou o portal RT em sua cobertura do relatório do PNUD, o choque econômico já reverte anos de ganhos sociais e de desenvolvimento humano.

O administrador do PNUD, Achim Steiner, resumiu o cenário ao afirmar que se trata de “desenvolvimento ao contrário”. Os aumentos nos preços de energia e alimentos pressionam os governos a optar entre conter a inflação ou preservar gastos essenciais em saúde, educação e proteção social.

Países com reduzido espaço fiscal — particularmente no Golfo, na Ásia, na África Subsaariana e nos pequenos Estados insulares — dispõem de menor capacidade para absorver esses choques.

O documento indica que o conflito entrou em fase prolongada e, quanto mais se estender, maior será o risco de expansão da pobreza em escala global.

O PNUD recomenda o uso de transferências diretas de recursos às populações mais vulneráveis, estimando que cerca de 6 bilhões de dólares seriam necessários para mitigar os efeitos mais graves, enquanto subsídios amplos são considerados menos eficientes e fiscalmente insustentáveis.

O Estreito de Ormuz representa ponto crítico na equação: por ali passa cerca de 20% do petróleo mundial. Qualquer interrupção ou bloqueio na rota pode elevar o preço do barril acima de 100 dólares, ao mesmo tempo em que compromete o fluxo de fertilizantes e gás natural essenciais para a agricultura global e a segurança alimentar.

O conflito já provocou milhares de mortes no Oriente Médio, com 3,2 milhões de deslocados no Irã e mais de 1 milhão no Líbano. Esses movimentos, somados às rupturas nas cadeias de suprimentos, ampliam os efeitos muito além das zonas de combate.

Economistas do PNUD projetam quedas significativas no PIB de diversos países, com riscos concretos a componentes centrais do desenvolvimento humano, como acesso à educação, serviços de saúde e infraestrutura.

No Irã, o Índice de Desenvolvimento Humano pode recuar entre 0,47 e 0,56 pontos, o que equivaleria à perda de um a um ano e meio de progressos acumulados nas últimas décadas.

As nações mais expostas precisam adotar com urgência o reforço de redes de proteção social, medidas de segurança alimentar, apoio ao emprego nos setores mais frágeis e a garantia da continuidade de serviços públicos essenciais.

Sem essas ações, o risco de crises humanitárias profundas e de efeitos persistentes sobre o progresso econômico e social se torna concreto.

O relatório reforça que mesmo um conflito geograficamente localizado gera consequências globais que recaem com maior peso sobre os países mais pobres e vulneráveis à volatilidade dos mercados de energia e commodities.

Com informações de rt.com.


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