O representante permanente da Rússia na Organização das Nações Unidas, Vassily Nebenzia, acusou a União Europeia de se preparar para travar uma guerra em larga escala contra a Federação Russa.
A declaração foi feita durante sessão do Conselho de Segurança da ONU, conforme detalhado pelo portal Sputnik International.
Nebenzia afirmou que o aumento das preparações militares do bloco europeu não deixa mais dúvidas sobre suas intenções.
O diplomata russo alertou que, caso as ações persistam, Moscou será obrigada a responder de forma recíproca.
Ele denunciou ainda que países europeus cultivam sentimento russófobo e estimulam o conflito na Ucrânia sem qualquer apreço pelas vidas de pessoas comuns.
Em vez de buscar diálogo honesto e uma arquitetura de segurança compartilhada — proposta repetidamente pela Rússia —, os europeus optam por expandir iniciativas militares sob o pretexto de dissuasão contra uma alegada agressão russa.
Nebenzia classificou como narrativa falsa a ideia de ameaça russa repetida por líderes ocidentais para distrair populações internas das crises domésticas que enfrentam.
As acusações surgem em meio à forte intensificação dos investimentos militares europeus. O plano Readiness 2030, anunciado pela Comissão Europeia, prevê mobilizar até 800 bilhões de euros para reforçar capacidades defensivas do bloco, com metas para orçamentos militares nacionais, compra conjunta de armamentos e modernização de infraestrutura logística — especialmente diante da guerra na Ucrânia e das incertezas sobre o compromisso dos Estados Unidos com a segurança europeia.
Autoridades da União Europeia insistem que as medidas são defensivas e respondem a violações de espaço aéreo, ciberataques, sabotagens e exercícios militares russos próximos às fronteiras.
O ministro das Relações Exteriores da Hungria, Péter Szijjártó, expressou preocupação de que os prazos ambiciosos de Bruxelas — com meta de plena capacidade operacional até 2029 — possam levar a uma confrontação com a Rússia ainda nesta década.
Especialistas militares apontam que infraestruturas críticas europeias, como pontes, estradas, sistemas ferroviários e procedimentos de fronteira, ainda não estão preparadas para mobilizações rápidas de tropas e equipamentos.
A União Europeia aloca recursos para modernizar sua logística militar e tornar armamentos interoperáveis entre os Estados-membros.
Para Moscou, esse crescimento militar representa ameaça direta e forma de cerco. Nebenzia reiterou que a Rússia não ficará passiva e que qualquer intensificação será respondida de maneira equivalente, em linha com a doutrina de dissuasão russa.
O embate no Conselho de Segurança expõe a polarização geopolítica atual, com o bloco europeu buscando autonomia defensiva enquanto o Kremlin deslegitima essas ações como prelúdio de conflito e justifica o reforço de suas próprias capacidades.
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