O governador Tarcísio de Freitas adiou para 1º de janeiro de 2027 o início da cobrança do pedágio free flow nas oito rodovias administradas pela Rota Sorocabana.
A postergação ocorreu por meio de termo aditivo contratual assinado em 5 de fevereiro de 2026, mesmo com o contrato original determinando o início da operação em setembro de 2026.
Conforme reportou o portal Metrópoles, o governo estadual comprometeu-se a pagar à concessionária o equivalente à receita que seria gerada no período adiado, transferindo para o erário o custo que seria suportado pelos usuários.
O contrato de concessão com a Motiva foi firmado em fevereiro de 2025 e prevê a administração de aproximadamente 460 quilômetros de estradas por 30 anos, com investimentos totais de R$ 8,8 bilhões.
O modelo free flow elimina as praças físicas de pedágio e instala pórticos com sensores e câmeras que registram a passagem dos veículos para cobrança automática via placa ou tag.
Os pórticos deveriam estar instalados até março de 2026 — treze meses após a assinatura do acordo — para permitir fase de monitoramento e início da cobrança efetiva em setembro, após aviso prévio de 90 dias à população.
A Secretaria de Parcerias e Investimentos justificou o adiamento pela necessidade de ampliar a comunicação e a orientação à população sobre o funcionamento do novo sistema.
A pasta não detalhou o valor exato da compensação financeira que o estado pagará à concessionária Motiva, nem informou se ajustes contratuais semelhantes serão feitos em outras concessões rodoviárias.
A decisão gerou reações políticas imediatas, com críticas da oposição e de prefeitos de municípios cortados pelas vias.
Em Mogi das Cruzes, a prefeita obteve liminar na Justiça para suspender a cobrança aos moradores no trecho da Rodovia Mogi-Dutra.
A oposição questionou duramente a redução no escopo do projeto. Enquanto estudos iniciais do programa estadual de modernização previam 111 novos pórticos, o número caiu para 17 na concessão específica da Rota Sorocabana.
Parte dos equipamentos já opera em modo de monitoramento sem cobrança nos trechos da Raposo Tavares, nos quilômetros 37, 58, 72, 95 e 101, conforme dados do site Siga Fácil.
Ao transferir a cobrança para 2027, o governo paulista evita o desgaste político em ano de eleições, pois o free flow tende a gerar insatisfação entre motoristas frequentes.
A mudança coincide com o fim do mandato atual de Tarcísio de Freitas. O sistema continua em fase de implantação e quem passar pelos pórticos não será cobrado até o início de 2027.
Após essa data, o risco de multa por evasão passa a existir, embora detalhes sobre prazos de pagamento, descontos para usuários frequentes e regras de notificação ainda estejam em debate nos órgãos reguladores e no Legislativo.
Três pontos centrais permanecem abertos após o termo aditivo. O primeiro é o montante preciso que o contribuinte paulista pagará à concessionária pela postergação. O segundo envolve o plano detalhado de comunicação para evitar confusão entre os motoristas. O terceiro diz respeito ao impacto real no trânsito local e nas rotas alternativas que já pressionam prefeituras ao longo das rodovias.
A promessa de modernização com o free flow foi mantida, mas sua execução efetiva foi deslocada para depois do calendário eleitoral, enfrentando agora desafios operacionais, políticos e de aceitação pública até se tornar realidade em janeiro de 2027.
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