O Fundo Monetário Internacional revisou para cima sua projeção de crescimento para a América Latina e o Caribe. O índice passou de 2,2% para 2,3% em 2026, apesar do forte choque econômico provocado pela guerra no Irã.
O organismo adverte que o conflito cria um quadro assimétrico na região, conforme detalhou o portal da RT ao acompanhar o relatório.
Alguns países colhem benefícios com o petróleo mais caro enquanto outros enfrentam inflação elevada e aperto fiscal.
O Brasil surge entre os mais bem posicionados por sua condição de grande exportador energético. O encarecimento do petróleo favorece sua balança comercial, embora o país enfrente pressões inflacionárias internas que exigem atenção.
A Colômbia integra o grupo dos beneficiados líquidos quando os preços do petróleo permanecem elevados. O país registra maior ingresso de divisas externas, ainda que reformas fiscais recentes limitem o impacto direto sobre as contas do Estado.
A Argentina aparece como possível ganhadora com os preços internacionais do petróleo. Esse ganho depende da capacidade de superar obstáculos logísticos e de infraestrutura para exportar volumes maiores, especialmente a partir de Vaca Muerta.
O México ocupa posição intermediária e ambígua no cenário regional. O país produz petróleo, mas importa combustíveis e gás natural, o que o expõe diretamente à alta energética global.
Políticas de incentivo à refinação interna concedem ao México alguma margem de manobra. Mesmo assim, o país continua sensível às oscilações do mercado internacional de energia.
Importadores líquidos de energia como Chile e Peru figuram entre os mais afetados pelo choque. Eles enfrentam inflação de combustíveis, custos de transporte mais altos e menor margem fiscal para subsidiar o aumento de preços.
A Bolívia carrega o pior prognóstico de toda a região segundo o FMI. Sua economia deve registrar contração de cerca de 3,3% em 2026, tornando-se o único país latino-americano com projeção negativa.
A Venezuela projeta crescimento de 4% para 2026 com base em políticas de flexibilização no petróleo e na mineração. Esse desempenho pode acelerar em 2027 caso o país consiga capturar a demanda energética adicional gerada pelo conflito.
Os países de baixa renda que dependem fortemente de importações energéticas são os mais vulneráveis. Eles possuem reservas fiscais escassas e sofrem forte pressão da inflação importada sobre seus preços internos.
O conflito no Irã interrompeu uma trajetória de crescimento sustentada por investimentos tecnológicos e alívio nas tensões comerciais. Condições financeiras favoráveis foram substituídas por incerteza e volatilidade nos mercados de energia.
Uma recuperação gradual da região está prevista para 2027, a depender de o conflito manter alcance limitado, sem escalada adicional.
O prolongamento da guerra, com disparada dos preços do petróleo, pode levar várias economias a recessão técnica. Inflação persistente e deterioração social surgiriam como consequências diretas nesse cenário.
Governos latino-americanos precisam equilibrar os benefícios externos das exportações energéticas com a proteção aos setores mais afetados. Consumidores, transporte e indústrias de manufatura demandam medidas fiscais precisas para reduzir o impacto negativo sobre a população.
Com informações de actualidad.rt.com.
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