Nesta quinta-feira (4 de abril de 2024), pesquisadores da Faculdade de Odontologia da USP em Bauru, em conjunto com as Universidades Federais do Rio Grande do Norte (UFRN) e da Paraíba (UFPB), anunciaram o desenvolvimento de um método de triagem auditiva rápida em colaboração com a Organização Mundial da Saúde (OMS). O teste, voltado para adultos e disponível em língua portuguesa, pode ser realizado por meio do aplicativo HearWHO, possibilitando o rastreio auditivo mesmo em regiões que ainda não possuem infraestrutura completa para exames diagnósticos tradicionais.
A triagem é realizada de forma autônoma pelo próprio usuário em cerca de três minutos, utilizando um smartphone ou tablet e fones de ouvido comuns. O procedimento baseia-se no “teste de dígitos no ruído”, no qual o indivíduo ouve sequências de três números em meio a um ruído de fundo e deve digitá-los no dispositivo. Durante a execução, o volume e o nível de dificuldade são ajustados automaticamente pelo sistema. Ao final, o usuário recebe uma pontuação correlacionada com a audiometria, que indica se a audição está dentro dos padrões de normalidade ou se há necessidade de procurar uma avaliação diagnóstica completa.
O desenvolvimento da ferramenta seguiu um rigoroso processo científico iniciado em 2017, envolvendo a gravação, equalização e validação de estímulos sonoros em português. O objetivo foi garantir que a versão brasileira apresentasse a mesma confiabilidade e sensibilidade dos testes realizados em outros idiomas. Atualmente, os pesquisadores trabalham na criação de um aplicativo nacional adaptado especificamente para as demandas da população brasileira, denominado OuvirBR.
Estudos de base populacional indicam que 20% da população brasileira apresenta algum nível de perda auditiva, sendo que 6% dos casos são considerados incapacitantes. Os grupos de maior risco incluem homens acima de 60 anos com menor escolaridade e renda, embora as causas sejam multifatoriais. Fatores como condições na gestação, tabagismo, complicações no parto, questões genéticas, doenças infecciosas como sarampo e meningite, além do uso de medicamentos ototóxicos, contribuem para o comprometimento da audição.
Há também um alerta crescente quanto ao público jovem devido ao uso excessivo de fones de ouvido em volumes elevados. A Organização Mundial da Saúde considera a exposição a sons intensos como a principal causa de perda auditiva evitável na modernidade. O uso de dispositivos intra-auriculares em volumes altos representa um risco real de lesões irreversíveis, reforçando a importância da prevenção, do controle do volume de aparelhos sonoros e da vacinação regular.
Fonte: Jornal da USP


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