USP alcança novo marco técnico com dados inéditos do motor híbrido Nêmesis

Imagem gerada por IA pelo Flux Pro (fal.ai), a partir de prompt do Cafezinho. 14/04/2026 05:56

O motor de propulsão híbrida Nêmesis, desenvolvido por estudantes da USP, registrou um empuxo máximo de 3.315 newtons, impulso específico de 185 segundos e tempo de queima de 9 segundos em dois testes estáticos realizados em 15 de março de 2026. Esses dados foram divulgados pelo Projeto Júpiter por meio de nota oficial na página do grupo no LinkedIn. Tais parâmetros representam um salto técnico para iniciativas estudantis aeroespaciais no Brasil.

O lançamento do foguete Elara II com o motor Nêmesis ocorreu em 4 de abril de 2026, no campus da USP em Pirassununga, sob coordenação da Academia da Força Aérea para liberação do espaço aéreo. O voo testou conjuntos integrados que vão além do motor: sistema aerodinâmico de frenagem, mecanismo de paraquedas para recuperação, integridade estrutural da fuselagem e operações voltadas à equipe técnica.

Os testes anteriores ao lançamento já indicavam os contornos do desafio. Desde meados de 2015, o Projeto Júpiter investe na propulsão híbrida própria, com fases de desenvolvimento que incluíram o motor Nelore, consumido por combustível sólido e oxidante líquido. No fim de agosto de 2023, o Nelore foi testado estaticamente em Pirassununga, consolidando parte dos saberes que culminaram no Nêmesis.

No dia do lançamento, embora o foguete tenha decolado às 18h06 (horário local), o desempenho não atingiu a altitude planejada. A razão foi o nível de oxidante inferior ao previsto no tanque de decolagem, o que afetou diretamente o empuxo durante o voo. Mesmo assim, os sistemas de recuperação atuaram conforme o esperado e o foguete retornou com danos mínimos.

Outro aspecto relevante é a segurança operacional proporcionada pela propulsão híbrida. O Elara II utiliza um combustível sólido combinado a um oxidante líquido, o que permite controle do fluxo do oxidante durante o voo e reduz riscos comuns em motores sólidos puros. Esse tipo de motor combina vantagens ambientais e de comando mais refinado, vislumbrando aplicações futuras em satélites de pequeno porte ou experimentos atmosféricos.

Historicamente, o Projeto Júpiter já marcava presença internacional. Em junho de 2024, o foguete Pacífico da equipe USP alcançou apogeu de 2.944 metros, competindo na Spaceport America Cup no Novo México com foguetes de combustível sólido construídos pela própria equipe.

Os resultados técnicos do Nêmesis — empuxo, impulso específico, tempo de queima — são métricas centrais na engenharia espacial. Um empuxo de 3.315 N sugere capacidade de levantar cargas úteis leves ou instrumentos científicos; impulso específico de 185 segundos indica eficiência relativamente alta para motores híbridos produzidos em ambientes acadêmicos.

O desafio agora será melhorar o sistema de abastecimento do oxidante e refinar o cronograma operacional para que futuras missões atinjam as altitudes projetadas. A fidelidade estrutural da fuselagem, o desempenho dos sistemas de recuperação e a repetibilidade das medições já mostram que a equipe está em patamar superior ao típico em projetos de extensão.

E daí? Essa empreitada comprova que o Brasil pode produzir tecnologia aeroespacial de base com autonomia técnica, formando engenheiros capazes de dominar do projeto ao lançamento. Em contexto global — com tensões no controle das rotas espaciais e agenda militar, e com potências como China e Índia ampliando sua presença — conquistar soberania tecnológica nessa área estratégica não é luxo: é necessidade. Foguetes como o Elara II mostram que o Sul Global está pronto para disputar espaço no céu e no poder.

Com informações de noticias.r7.com.

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