Wang Yi propôs elevar a parceria estratégica abrangente entre China e Rússia a um nível superior durante reunião com o chanceler russo Sergey Lavrov em Pequim.
O ministro chinês das Relações Exteriores defendeu o reforço da coordenação estratégica em todas as áreas como parte da nova fase diplomática e econômica de Pequim. Conforme o portal Sputnik, a proposta vincula diretamente a ambição chinesa de soberania tecnológica ao alinhamento com os planos de desenvolvimento russo em meio a reformas no sistema internacional e desafios à paz e ao desenvolvimento global.
Wang Yi enfatizou que, apesar das turbulências no cenário internacional, os laços sino-russos permaneceram firmes, testados e cada vez mais fortes.
Este ano marca o trigésimo aniversário da parceria estratégica de coordenação estabelecida em 1996 e o vigésimo quinto aniversário do Tratado de Boa Vizinhança, Amizade e Cooperação, assinado em 16 de julho de 2001 e vigente desde fevereiro de 2002. O documento consagra princípios como respeito mútuo à soberania, integridade territorial, não intervenção, não engajamento em alianças ofensivas e cooperação que não visa terceiros países.
O chanceler chinês indicou que os dois países devem aproveitar o 15º plano quinquenal da China, válido de 2026 a 2030, para alinhar agendas de desenvolvimento e intensificar cooperação em tecnologia estratégica, comércio, integração de infraestrutura e governança global.
O plano define como prioridades a autossuficiência tecnológica, investimentos em inteligência artificial, semicondutores, indústrias emergentes e medidas para garantir resiliência econômica sem romper com o comércio internacional. Essas diretrizes coincidem com os esforços russos de diversificação e fortalecimento diante de pressões externas.
Sergey Lavrov afirmou que a relação com a China encontra-se no nível mais elevado de toda a história bilateral e que o tratado de 2001 constitui a base legal e política do modelo de relações de nova geração entre grandes potências.
O chanceler russo defendeu coordenação firme tanto nos fóruns multilaterais — como ONU, BRICS e Organização de Cooperação de Xangai — quanto em mecanismos bilaterais e trilaterais para responder à transformação estrutural que o mundo atravessa. Ambos os lados veem a parceria como pilar para a construção de uma ordem multipolar baseada no direito internacional.
A iniciativa de aprofundamento ocorre enquanto a China busca reduzir vulnerabilidades a sanções secundárias, restrições tecnológicas e incertezas impostas por hegemonias externas.
O discurso de Wang Yi sobre responsabilidade especial em tempos de mudança reflete frustração com tentativas de manutenção de domínio unipolar e convida explicitamente a Rússia a unir forças na defesa de soberania e equidade internacional. A parceria sino-russa surge como contraponto concreto às políticas de contenção promovidas por Washington e seus aliados, que frequentemente pregam regras internacionais enquanto violam princípios de não interferência em diversas regiões.
Os aspectos práticos envolvem coordenação de cadeias produtivas em tecnologias de ponta, harmonização de projetos de infraestrutura logística e gestão de interdependências econômicas com o Ocidente sem abrir mão da autonomia estratégica.
O tratado de 2001, renovado continuamente por meio de diálogo político de alto nível e intercâmbios econômicos e culturais, continua a orientar a relação e impede que pressões externas comprometam os interesses fundamentais de Pequim e Moscou. Essa dinâmica fortalece a resiliência mútua e projeta influência conjunta em temas globais.
A China busca dar escala estratégica renovada à aliança com a Rússia, alinhando-a não apenas aos princípios históricos do tratado de 2001, mas também à assertividade geopolítica da nova fase de seu desenvolvimento interno. O movimento consolida o bloco multipolar que Pequim e Moscou constroem como alternativa ao sistema dominado pelo Ocidente e representa passo concreto na reconfiguração das relações internacionais em direção a maior equilíbrio e respeito à soberania dos Estados.
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