Com guerras simultâneas corroendo o direito internacional e desestabilizando cadeias globais de suprimentos, o mundo caminha para uma era de poder coercitivo e competição aberta entre potências.
A invasão russa da Ucrânia e a guerra no Oriente Médio representam o maior colapso do direito internacional desde o fim da Segunda Guerra Mundial.
A Rússia, membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, invadiu um país soberano em violação direta à Carta das Nações Unidas.
O conflito no Oriente Médio gerou instabilidade que ultrapassa a região, elevando preços de energia na Europa e na Ásia.
Agricultores da África à América do Sul enfrentam escassez de fertilizantes, expondo a fragilidade das cadeias globais de suprimentos diante de guerras simultâneas.
A Rússia aprofundou sua aliança com o Irã fornecendo inteligência e drones, enquanto os preços elevados de energia beneficiam Moscou e prolongam o conflito.
Infraestrutura civil no Golfo foi atacada com ferramentas semelhantes às usadas na Ucrânia, evidenciando a interconexão entre os dois teatros de guerra.
O resultado é um abandono progressivo das regras que sustentaram a ordem mundial por oito décadas. Potências militares avançam na construção de esferas de influência sem o constrangimento das instituições multilaterais.
As decisões tomadas pela comunidade internacional nos próximos meses determinarão se esse colapso ainda é reversível ou se consolida definitivamente uma ordem baseada na força bruta.
Edição de Rhyan de Meira*