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Trappist-1 b e c expõem fenda térmica entre dia escaldante e noite congelante

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Imagem gerada por IA pelo Flux Pro (fal.ai), a partir de prompt do Cafezinho. 15/04/2026 16:06

Novas observações do Telescópio Espacial James Webb revelam que TRAPPIST-1 b e c, dois exoplanetas rochosos do sistema TRAPPIST-1, enfrentam extremos térmicos extremos: seus dias ultrapassam os 200 °C no caso de b e quase 100 °C no caso de c, enquanto a noite de b despenca abaixo de −200 °C, apontando para uma dicotomia implacável entre luz e sombra. As medições, feitas no infravermelho ao longo de uma órbita completa — cerca de 60 horas de observação contínua — mostraram ausência de emissão térmica significativa do lado noturno em b e nenhum deslocamento de fase térmica relevante para qualquer dos dois planetas. Esses são indícios fortes de superfícies desprovidas de atmosfera espessa.

O sistema TRAPPIST-1 é uma anã vermelha ultrafria situada a aproximadamente 38,8 anos-luz, composto por sete planetas terrestres; b e c são os mais próximos da estrela e, portanto, os mais bombardeados por radiação intensa e partículas energéticas — fatores que poderiam ter removido qualquer atmosfera espessa originalmente existente. Segundo estudo publicado em pequena-escala pela Sci.News, a rotação sincrônica induzida por efeitos de maré garante que um hemisfério permaneça em dia perpétuo enquanto o outro mergulha em noite eterna.

Para TRAPPIST-1 b, o Webb determinou que o brilho diurno equivale a aproximadamente 490 ± 17 K (~217-250 °C), enquanto o noturno desce a níveis glaciais, abaixo de −200 °C, sustentando o cenário de solo escuro, sem cobertura atmosférica capaz de redistribuir calor. TRAPPIST-1 c, embora menos quente diurnamente (≈ 369 ± 23 K), também apresenta noites extremamente frias, embora o valor mínimo noturno exato não tenha sido medido com precisão no presente estudo. Modelos atmosféricos que admitem pressões acima de cerca de 1 bar são fortemente desacreditados para ambos os planetas.

O contraste entre hemisférios foi evidenciado por meio de curvas de fase térmica capturadas em comprimento de onda de 15 μm pelo JWST. Estas curvas permitem inferir ausência de atmosfera densa em b e c, embora não se descarte para o planeta c a possibilidade de uma camada tênue de oxigênio ou uma superfície altamente refletiva que produza efeito térmico mínimo, mimetizando alguns efeitos atmosféricos reduzidos. A hipótese de perda atmosférica considera processos como bombardeio estelar, ventos estelares intensos ou excesso de radiação ultravioleta, os quais poderiam ter removido gases voláteis fundamentais ao suporte de atmosfera espessa.

O estudo, com autoria de Michaël Gillon et al., foi publicado em 3 de abril de 2026 na revista Nature Astronomy sob o título “No thick atmosphere around TRAPPIST-1 b and c from JWST thermal phase curves”. As implicações se mostram duras para a busca por vida no universo: esses mundos, embora semelhantes à Terra em tamanho, revelam que orbitar uma estrela tão ativa como TRAPPIST-1 pode condenar superfícies aos extremos térmicos, torná-las expostas sem atmosfera significativa, incapazes de suavizar variações diurnas e noturnas.

Cientistas aguardam que instrumentos futuros mapeiem planetas mais externos do sistema TRAPPIST-1, como pelas missões em curso pelo Webb, para aprofundar o entendimento sobre quais mundos podem sustentar condições habitáveis fora do casulo de radiação.

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