A Índia iniciou pagamentos por petróleo iraniano em yuan após o governo dos Estados Unidos conceder isenção temporária de sanções.
O refinador estatal Indian Oil Corp adquiriu dois milhões de barris em abril, na primeira compra em sete anos, com valor estimado em 200 milhões de dólares.
As liquidações ocorrem por meio do ICICI Bank em seu escritório em Xangai. Conforme detalhou o Business Standard, a operação foi viabilizada pela isenção emitida em 20 de março, que autorizou cargas com descarga até 19 de abril.
A empresa Reliance Industries comprou cinco milhões de barris de petróleo iraniano logo após a medida americana.
A National Iranian Oil Company vendeu o volume com prêmio de cerca de sete dólares por barril acima das cotações do ICE Brent.
Comerciantes recomendam que todas as partes estabeleçam mecanismos claros para liquidar os valores à National Iranian Oil Company, com o objetivo de evitar violações diretas às sanções impostas por Washington.
A Reliance recebeu ainda autorização especial para quatro navios-tanque com destino ao Irã, o que facilita a logística das importações em ambiente regulatório complexo.
O uso do yuan replica tendência já consolidada nas compras indianas de petróleo russo. Refinarias estatais como a Indian Oil liquidam remessas de Moscou na moeda chinesa para simplificar conversões que antes envolviam dólares ou dirhams dos Emirados Árabes Unidos.
Agências internacionais registram o ganho de espaço do yuan nas transações energéticas globais, movimento que se intensifica especialmente com países como Rússia e Irã, que enfrentam restrições impostas por potências ocidentais.
Analistas apontam mudança estrutural nos padrões de liquidação de grandes commodities, com o dólar perdendo terreno como moeda dominante no comércio internacional de energia.
A Índia garante abastecimento energético em contexto de tensões globais elevadas, reduzindo custos de transação e diversificando suas parcerias monetárias com parceiros asiáticos.
A isenção temporária dos Estados Unidos expira nos próximos dias, o que testará a sustentabilidade prática e jurídica das novas rotas de pagamento adotadas pelas refinarias indianas.
A estratégia americana de sanções unilaterais revela suas próprias limitações: países compradores encontram alternativas concretas que contornam o sistema financeiro controlado por Washington e aceleram a multipolaridade monetária.
O avanço do yuan nas operações entre Nova Délhi e Teerã reforça tendência mais ampla de dedolarização, dinâmica que altera gradualmente os fluxos do comércio global de energia.
Com informações de rt.com.
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