Centenas de milhares de libaneses que fugiram dos bombardeios retornam com cautela ao sul do Líbano. A trégua provisória de dez dias entre Israel e o Hezbollah entrou em vigor após 46 dias de intensos confrontos que deixaram a região em ruínas.
O acordo foi alcançado com mediação dos Estados Unidos e envolvimento direto do presidente Donald Trump, que manteve contatos com líderes libaneses e israelenses. Autoridades de ambos os lados confirmaram o pacto, que tem potencial para ser estendido além do período inicial.
Imagens mostram comboios de carros lotados de pertences familiares seguindo rumo à ponte Qasmiyeh sobre o rio Litani. Essa via havia sido seriamente danificada pelos ataques aéreos israelenses, mas recebeu reparos emergenciais para facilitar o retorno das famílias.
A destruição registrada é de proporções alarmantes. As autoridades libanesas informam cerca de 2.196 mortos no Líbano, com grande parte de civis, enquanto Israel contabiliza 15 óbitos — sendo 13 soldados e dois civis — conforme reportou o Le Monde em sua cobertura.
As Forças Armadas libanesas evitam encorajar o retorno em massa dos civis. Elas citam o perigo de minas não explodidas e a possibilidade real de que o cessar-fogo se rompa a qualquer momento diante das tensões persistentes.
O Hezbollah declarou que permanecerá em alerta máximo e com o “dedo no gatilho”, pronto para responder a qualquer nova agressão israelense. Israel, por outro lado, afirma que preservará o direito de conduzir operações contra ameaças iminentes mesmo durante o período da trégua.
Mais de um milhão de libaneses foram forçados a deixar suas casas durante o conflito. Esse número reflete o impacto humanitário profundo causado pelos bombardeios prolongados, que atingiram infraestrutura civil e residências em larga escala.
Pontos de atrito significativos seguem sem resolução e colocam em risco a frágil estabilidade. O governo libanês exige a retirada imediata das forças israelenses de seu território, ao passo que Israel cobra o desarmamento completo do Hezbollah e a manutenção de uma zona de segurança até as margens do rio Litani.
Na cidade de Nabatieh, duramente castigada pelos ataques, os residentes que voltam o fazem com resignação em vez de alegria. Muitos relatam que restaram apenas escombros de suas casas e temem que a trégua represente apenas uma pausa temporária, sem compromissos firmes de paz.
A trégua atual oferece uma oportunidade limitada para a entrada de ajuda humanitária e os primeiros passos de reconstrução. Especialistas e moradores locais, no entanto, expressam dúvidas sobre o futuro, uma vez que as demandas contraditórias das partes envolvidas persistem além dos dez dias iniciais.
Com informações de aljazeera.com.
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