Massacre de Eldorado do Carajás expõe impunidade 30 anos após execução de 19 sem-terra

Manifestantes do MST com bandeiras e faixas em protesto pela reforma agrária. (Foto: operamundi.uol.com.br)

O Massacre de Eldorado do Carajás completa 30 anos nesta sexta-feira. O episódio de 17 de abril de 1996 permanece um dos mais brutais da história da luta pela terra no Brasil.

Cerca de 3.500 trabalhadores rurais sem-terra ocupavam a Fazenda Macaxeira. O latifúndio de 40 mil hectares no sudeste do Pará era alvo de pressão para desapropriação pelo INCRA.

Os manifestantes seguiam pela rodovia PA-150, na altura da Curva do S, rumo a Marabá. A Polícia Militar do Pará atuou com 155 agentes sob ordem do governador Almir Gabriel e do secretário de segurança Paulo Sette Câmara.

A determinação autorizava o uso da força necessária, inclusive com disparos. Os policiais cercaram o grupo sem identificação, usaram bombas de gás lacrimogêneo e armas letais.

A ação resultou na morte de 19 camponeses. Testemunhas descreveram execuções sumárias com tiros à queima-roupa e ataques com foices e facões contra os manifestantes.

O caso do adolescente Oziel Alves Pereira, de 17 anos, ganhou destaque pela crueldade. Ele foi perseguido, baleado, algemado e morto durante a operação policial.

O episódio gerou ampla mobilização nacional e internacional. Exposições fotográficas e marchas denunciaram a violência estatal e consolidaram o simbolismo da data.

Um ano depois do massacre, uma grande marcha a Brasília reforçou a visibilidade da causa. O 17 de abril se estabeleceu como Dia Nacional de Luta pela Reforma Agrária.

A resposta do Judiciário veio apenas em 2012. O coronel Mário Colares Pantoja foi condenado a 228 anos e o major José Maria Pereira de Oliveira a 158 anos.

A maioria dos policiais envolvidos na ação nunca recebeu punição efetiva. A impunidade segue como marca central do caso três décadas depois.

O local da tragédia se transformou no Projeto de Assentamento 17 de Abril. Centenas de famílias vivem na área e desenvolvem produção baseada em agroecologia.

Conforme o portal do Movimento dos Sem Terra, o assentamento simboliza a conquista da terra e a produção de alimentos saudáveis na região. O Monumento das Castanheiras Mortas, erguido em 1999, funciona como memorial permanente das vítimas.

A concentração fundiária no Brasil continua elevada após 30 anos. O latifúndio improdutivo persiste apesar dos dispositivos constitucionais que preveem desapropriação para reforma agrária.

Movimentos sociais e o MST cobram novas desapropriações e políticas públicas consistentes. Eles defendem a produção sustentável, o fim do desmatamento e o cumprimento do direito constitucional à terra.

O caso de Eldorado do Carajás expõe as dificuldades históricas da justiça fundiária. A data mantém acesa a cobrança por democracia agrária e redução da violência no campo.

Com informações de operamundi.uol.com.br.


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