Libaneses retornam em massa ao sul devastado após trégua frágil com Israel

Deslocados retornam ao sul do Líbano em meio a um engarrafamento na estrada costeira. (Foto: © Bilal Hussein / AP)

Centenas de milhares de libaneses iniciam o retorno ao sul do país após o anúncio de uma trégua entre Beirute e Tel Aviv. Longas filas de carros lotados de malas, colchões e móveis seguem pela estrada costeira em direção às cidades e vilarejos de origem.

Segundo reportagem da RFI, o movimento revela ao mesmo tempo alívio e profunda tristeza. Mayssa el-Amir retorna à cidade de Tiro com os três filhos e resume o sentimento coletivo. ‘Estamos felizes, mas com o coração apertado’, disse ela à enviada especial Sophie Guignon.

Muitos enfrentam a incerteza sobre o estado real de suas propriedades. Famílias inteiras descobrem que restaram apenas escombros onde antes existiam casas e plantações.

Fadi e Rodayna perderam completamente a residência. O casal planeja dormir entre os destroços. ‘As lágrimas da minha esposa são de dignidade e saudade. A terra do sul nos faltava’, contou Fadi com emoção.

A lealdade ao Hezbollah permanece forte entre boa parte da população local. Mohamad viajava de moto exibindo a bandeira do grupo e afirmava que aceitaria qualquer condição para rever o vilarejo e a família.

‘Se o Hezbollah não existisse, não haveria Líbano. Eles defendem nossa dignidade e nossas famílias’, declarou Mohamad. A afirmação reflete o papel que o movimento desempenha na percepção de muitos residentes como garantia de proteção.

Mesmo com a trégua em vigor, o medo persiste. Diversos deslocados limitam-se a visitas rápidas durante o dia para recolher pertences e evitam passar a noite na região sul.

Perto da fronteira, moradores relatam que forças israelenses ainda realizam operações pontuais. Essas ações mantêm o temor de uma escalada repentina e de novos bombardeios.

A trégua atual depende de negociações delicadas entre as autoridades libanesas e israelenses. A reconstrução das áreas atingidas exigirá volumes significativos de recursos e estabilidade política duradoura.

O retorno representa para essas famílias muito mais que uma simples viagem. Trata-se de um esforço para recuperar a memória, os laços comunitários e a sensação de pertencimento após semanas de deslocamento forçado.

As imagens captadas pelo fotógrafo Bilal Hussein, da Associated Press, registram com precisão esse drama humano. Rostos marcados por lágrimas e bandeiras erguidas sintetizam a dor da perda aliada à determinação de permanecer na terra natal.


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