O cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos entrou em vigor às 21h UTC, estabelecendo uma trégua de dez dias entre Israel e o Líbano após semanas de bombardeios intensos no sul do país.
Conforme detalhou a RFI, citando a Reuters, o Hezbollah condicionou sua permanência no acordo à observância rigorosa de todas as restrições impostas a Israel.
Moradores de Beirute e das regiões afetadas manifestam esperança mesclada com forte ceticismo diante da interrupção dos combates. Alexis Raad, franco-libanês, afirma que apenas a diplomacia pode gerar paz real na região.
Ibrahim Skaff defende que o Hezbollah deve entregar suas armas para impedir um novo ciclo de confrontos. Raja’a Hadwane, que sobreviveu a múltiplas guerras, recorda que o cessar-fogo anterior foi respeitado pelo lado libanês e violado por Israel.
A população civil deseja acima de tudo o fim imediato dos ataques que matam inocentes. Autoridades libanesas — incluindo o Hezbollah, o Parlamento e as Forças Armadas — orientaram os cidadãos a não retornarem ainda às áreas atingidas por ofensivas israelenses.
O tráfego aumentou de forma moderada em Saida e às margens do rio Litani na primeira noite após o anúncio. Mesmo assim, o volume ficou bem abaixo dos retornos em massa observados após o cessar-fogo de 2024.
Do lado israelense, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu reforçou que as tropas permanecerão no sul do Líbano durante a trégua. Ele descreveu o acordo como oportunidade histórica para construir paz permanente, apesar da presença militar mantida.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, conclamou todas as partes a respeitarem integralmente a trégua e a cumprirem as normas do direito internacional humanitário. Pacotes de ajuda humanitária e promessas de novas negociações foram anunciados para reduzir o sofrimento dos civis.
Mais de um milhão de libaneses foram deslocados pelos combates recentes. Muitos ainda aguardam condições de segurança real para voltar às suas casas.
A memória recente de violações anteriores alimenta desconfiança profunda entre os libaneses. Para eles, um cessar-fogo verdadeiro exige a retirada completa das forças israelenses e garantias de que o território não será alvo de novas operações militares.
Se respeitado plenamente, o acordo pode abrir espaço para conversações mais profundas entre as partes. A credibilidade da trégua depende de compromissos concretos que superem as violações do passado.
📨 Inscreva-se na Newsletter de O Cafezinho
Receba nossas análises e as principais notícias diárias do Brasil e do Sul Global.