O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou o contraste entre os gastos militares recordes e a persistência da fome no mundo. Ele afirmou que é inaceitável destinar 2,7 trilhões de dólares à compra de armamentos enquanto milhões de pessoas não têm o que comer.
Durante sua participação no IV Foro em Defesa da Democracia, em Barcelona, o líder brasileiro analisou o atual sistema internacional. Lula considerou que o sistema se afastou de seu objetivo de garantir a paz e o desenvolvimento humano.
O presidente fez duras críticas ao Conselho de Segurança da ONU. O órgão perdeu a capacidade real de ação e se transformou em instrumento de poder das grandes potências.
Os cinco membros permanentes deixaram de proteger a paz mundial. Os Estados Unidos, o Reino Unido, a França, a Rússia e a China tornaram-se “senhores da guerra”, conforme a descrição de Lula.
O chefe de Estado defendeu a necessidade de uma nova governança global mais democrática e representativa. Essa instância deveria ser capaz de resolver problemas sem apelar para a violência.
Lula reiterou que a desigualdade e os conflitos armados configuram as maiores ameaças à humanidade. A paz verdadeira depende de justiça social e de uma distribuição mais justa dos recursos do planeta.
O presidente também expôs a contradição nas políticas ambientais de vários países. Nações que pregam a descarbonização e a proteção do clima seguem financiando e participando de guerras que consomem trilhões de dólares.
Não faz sentido falar em salvar o planeta ao mesmo tempo em que se destrói a vida humana todos os dias. Lula destacou essa hipocrisia entre os discursos climáticos e a escalada dos gastos bélicos.
O discurso ocorre em meio a um rearmamento acelerado em escala global. Relatórios de institutos de pesquisa apontam que os gastos militares bateram recordes, com os Estados Unidos e a OTAN à frente desse aumento.
O governo brasileiro tem insistido na via diplomática e no multilateralismo como respostas aos conflitos. O país defende ainda o papel do BRICS no esforço por uma ordem internacional mais equilibrada.
A intervenção de Lula em Barcelona reforça a visão de que paz e desenvolvimento sustentável formam um binômio inseparável. O presidente tem levado essa mensagem a diversos fóruns ao redor do mundo.
Ao concluir sua fala, Lula voltou a afirmar que o combate à fome precisa ser a prioridade absoluta da humanidade. Enquanto existirem recursos ilimitados para a guerra e escassez para as necessidades básicas, o sistema internacional seguirá falido.
Leia mais sobre o assunto na actualidad.rt.com.
📨 Inscreva-se na Newsletter de O Cafezinho
Receba nossas análises e as principais notícias diárias do Brasil e do Sul Global.