Os últimos minutos antes do cessar-fogo no sul do Líbano registraram nova onda de bombardeios israelenses sobre a cidade de Tiro, destruindo seis edifícios residenciais e matando dezenas de civis.
Segundo reportagem da RFI, as explosões ocorreram três minutos antes do início oficial da trégua. O taxista Fadel Hijazi viu sua casa desabar sobre a esposa, a filha e os netos que brincavam no momento do impacto.
“As crianças estavam brincando e rindo. Eu disse a elas que os aviões estavam indo embora, que nos diziam adeus. Então tudo desabou”, contou Hijazi com o braço ainda ensanguentado entre os escombros.
O motorista perdeu todos os familiares na explosão, que transformou o prédio em ruínas. Não houve qualquer aviso prévio de evacuação para os moradores.
“Se tivéssemos recebido um alerta, teríamos saído e esperado o bombardeio passar, mas não houve nada”, lamentou o sobrevivente. Hijazi acusou as forças israelenses de terem massacrado civis de forma deliberada.
As equipes de resgate da defesa civil e da Cruz Vermelha libanesa prosseguem as buscas nos destroços. O balanço inicial aponta pelo menos 13 mortos, 35 feridos e 15 desaparecidos, com poucas perspectivas de localizar sobreviventes.
Autoridades libanesas e organizações de direitos humanos condenam o bombardeio de zonas civis. Elas afirmam que tais ações violam as Convenções de Genebra e exigem investigação sobre os responsáveis.
Semanas de confrontos intensos marcaram o sul do Líbano antes da entrada em vigor do cessar-fogo. A ofensiva provocou o deslocamento de milhares de famílias e aprofundou a crise humanitária no país.
Moradores retornam agora às ruínas em busca de documentos, pertences e corpos de familiares desaparecidos. Imagens locais mostram quarteirões inteiros reduzidos a escombros, com civis removendo destroços manualmente.
O testemunho de Fadel Hijazi expõe o impacto direto sobre populações inocentes nos ataques a Tiro. A cidade registra destruição significativa mesmo nos instantes finais antes da trégua que interrompeu os combates.
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