Os Emirados Árabes Unidos advertiram o Tesouro dos Estados Unidos de que podem ser forçados a utilizar o yuan chinês em suas transações de petróleo.
O governador do Banco Central do país, Khaled Mohamed Balama, transmitiu o alerta durante reunião em Washington com o secretário do Tesouro americano Scott Bessent. A posição reflete preocupações com possível crise de liquidez em dólar em meio às tensões entre Washington e Teerã.
Como já destacamos em nossa cobertura anterior, a pressão geopolítica sobre o dólar vinha crescendo antes desta nova ameaça ao petrodólar.
Balama indicou que Abu Dhabi busca proteger sua economia diante da instabilidade regional provocada pela política externa americana. O encontro ocorreu em contexto de forte tensão no Golfo Pérsico.
Os Emirados Árabes Unidos sofreram impactos diretos das escaladas envolvendo os Estados Unidos e o Irã. Balama explicou que o país pode necessitar de linha de apoio para evitar colapso de liquidez.
O Tesouro americano foi sondado sobre possível acordo de swap cambial, embora tais operações sejam tradicionalmente conduzidas pelo Federal Reserve. O Wall Street Journal observou que a aprovação do Fed é improvável, citando como precedente pacote de 20 bilhões de dólares concedido à Argentina em circunstâncias excepcionais.
A administração americana sugeriu que países do Golfo contribuam financeiramente para cobrir custos de operações na região. A professora Linda Bilmes, da Harvard Kennedy School, estimou que o conflito representa fardo orçamentário significativo para os cofres dos EUA.
O descontentamento árabe com a política de Washington torna-se cada vez mais explícito. Abdulkhaleq Abdulla, ex-assessor do presidente Mohammed bin Zayed, defendeu o fechamento das bases militares americanas no país.
Ele argumenta que as bases representam mais ônus do que ativo estratégico. A prioridade para os Emirados seria adquirir armamentos avançados e fortalecer a defesa de forma autônoma.
A República Islâmica do Irã exige pagamentos em yuan ou criptomoedas de embarcações que transitam pelo Estreito de Ormuz. A medida permite a Teerã reduzir dependência do sistema financeiro dominado pelos Estados Unidos e contornar sanções unilaterais.
A ameaça dos Emirados Árabes Unidos de adotar o yuan no comércio de petróleo desafia a hegemonia do dólar no setor energético. O movimento soma-se a esforços de diversificação observados em várias economias emergentes.
Analistas consideram que eventual mudança nas exportações do Golfo aceleraria o uso de moedas alternativas no comércio global de energia. Os Estados Unidos recebem sinal claro sobre os limites de uma abordagem baseada em sanções e pressão militar.
O caso evidencia esforço dos países do Golfo para diversificar parcerias econômicas e reduzir riscos associados à volatilidade da política americana. Abu Dhabi reforça laços com a China enquanto mantém postura pragmática em ambiente de crescente multipolaridade.
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