A regulamentação da cannabis medicinal no Brasil encontra-se em um período de mudança. Em 2026, a Anvisa criou as primeiras estruturas legais para a plantação da cannabis em território nacional, que passa a estar disponível para pessoas jurídicas, como universidades ou organizações científicas.
Simultaneamente, a Anvisa decretou a autorização da manipulação da cannabis em farmácias e ampliou o número de métodos de consumo legais, com ajustes técnicos na classificação das vias de administração.
As novas regras não abrangem diretamente os produtos à base de CBD, o componente não psicoativo da planta da cannabis. No entanto, o mercado de CBD no Brasil afeta vários consumidores que estão acostumados a importar e consumir este tipo de produto.
Muitos defendem que estes produtos possuem propriedades terapêuticas e melhoram o bem-estar, mas o que realmente dizem os estudos científicos acerca de sua eficácia?
CBD e saúde mental
Os efeitos na saúde mental, como a potenciação do sono ou o alívio da ansiedade, encontram-se entre os principais motivos que levam os brasileiros a comprar CBD em lojas online. Muitos consumidores alegam que o consumo de produtos à base de CBD tem um efeito ansiolítico, mas será que os estudos científicos concordam?
Um compêndio que analisou mais de 50 estudos clínicos relacionados com os efeitos do CBD na saúde mental concluiu que, apesar de alguns bons indícios, ainda não existem provas conclusivas de que a substância possa ser usada como tratamento médico para condições do foro psicológico, como a insônia ou a ansiedade.
No entanto, o uso do CBD em pessoas que sofrem de ansiedade e outras mazelas não é desaconselhado. Além disso, os testemunhos dos consumidores (ainda que sem base científica) suportam a ideia de que, pelo menos para alguns doentes, o consumo de CBD pode ser benéfico devido ao seu efeito ansiolítico.
CBD e epilepsia
O uso médico mais forte do CBD é no contexto do tratamento da epilepsia. Estudos científicos destacam o CBD como um tratamento eficaz para as síndromes de Dravet e Lennox-Gastaut, duas encefalopatias epilépticas bastante sérias.
Contudo, o mesmo estudo destaca que o potencial terapêutico do CBD em doentes epilépticos é “adjuvante e muitas vezes exagerado.” Por outras palavras, o CBD é um tratamento cientificamente comprovado na epilepsia, mas não deve ser visto como uma cura ou terapia milagrosa.
Outras descobertas interessantes
Existem cada vez mais estudos científicos sobre CBD, abrangendo várias categorias de doentes e terapias. Estas são as restantes descobertas interessantes:
O CBD tem efeitos positivos e comprovados na redução da dor, mas ainda não é visto como um tratamento padrão confiável, especialmente em casos mais graves e em doentes crônicos;
A substância tem um efeito positivo em condições como autismo e Tourettes, mas estas evidências são maioritariamente baseadas em estudos com baixo volume de amostras;
Vários estudos apontam o CBD como um tratamento positivo no alívio dos sintomas do Parkinson, mas os resultados e a administração terapêutica ainda são do foro experimental.
Resumindo, o CBD é uma subsbtância com potencial terapêutico interessante e resultados cientificamente comprovados em doentes epilépticos, mas cuja capacidade curativa é relativamente exagerada. Ainda assim, milhares de pessoas reportam sentirem-se melhor, mais calmas ou menos ansiosas após consumir produtos à base de CBD.