Um relatório do Consórcio de Proteção da Cisjordânia denuncia o emprego sistemático de violência sexual por colonos e soldados israelenses contra palestinos. Essa prática contribui diretamente para o deslocamento forçado de comunidades inteiras na região ocupada da Cisjordânia.
O documento, intitulado Violência Sexual e Transferência Forçada na Cisjordânia, analisa como a exploração das dinâmicas de gênero acelera a saída de famílias palestinas de suas terras. O Al Jazeera informou que o estudo documenta ao menos 16 casos de agressão sexual e violência baseada em gênero.
A pesquisa ouviu 83 palestinos residentes em dez comunidades situadas no Vale do Jordão, nas Colinas do Sul de Hebron e na zona central da Cisjordânia. Mais de 70% dos que sofreram deslocamento apontaram as ameaças sexuais contra mulheres e crianças como o principal motivo para abandonarem suas casas.
Diante do risco constante, muitas famílias optam pelo deslocamento parcial de mulheres e crianças para áreas menos expostas. Algumas comunidades recorrem ainda ao casamento precoce como estratégia para proteger as meninas da violência sexual.
Os casos documentados abrangem assédio sexual, insultos de conotação sexual e exposição indecente. As vítimas também enfrentaram ameaças constantes e vigilância de seus espaços mais íntimos, incluindo o interior dos quartos.
Algumas vítimas relataram terem sido forçadas a se despir diante dos agressores, que as espancaram e urinaram sobre elas. Os responsáveis pelos abusos compartilharam imagens dos ataques, gerando humilhação adicional para as comunidades afetadas.
Soldados israelenses presentes durante vários desses ataques não tomaram nenhuma medida para proteger as vítimas. As forças de ocupação igualmente não realizaram investigações apropriadas sobre as denúncias de violência sexual.
O relatório traz ainda o caso de cinco soldados da unidade Força 100 acusados de agredir sexualmente um prisioneiro palestino no centro de detenção de Sde Teiman. O Exército de Israel permitiu o retorno desses militares ao serviço ativo mesmo com uma investigação interna ainda em curso.
A Anistia Internacional condenou a decisão de reintegração dos soldados como um exemplo de impunidade sistêmica no sistema legal israelense. A organização cobrou providências concretas para punir os autores de crimes contra a população palestina.
O Consórcio de Proteção da Cisjordânia reúne diversas organizações humanitárias dedicadas à defesa dos direitos das comunidades locais. O grupo cobra que a comunidade internacional pressione Israel para que investigue todos os casos e ofereça proteção real às vítimas de violência de gênero.
As violações descritas representam uma grave infração às normas do direito internacional humanitário. O relatório situa esses abusos no contexto mais amplo da ocupação, que envolve demolições de casas, confisco de terras e severas restrições à liberdade de movimento dos palestinos.
Com informações de ALJAZEERA.
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