O Ministério da Defesa da Rússia anunciou a libertação de dois homens mantidos como reféns no Mali, em operação conduzida pelo Africa Corps, unidade militar russa que substituiu o Grupo Wagner no continente africano.
O geólogo russo Oleg Greta, nascido em 1962, e o ucraniano Iouri Yourov, nascido em 1970, foram resgatados com sucesso. Os dois trabalhavam para uma empresa russa de exploração geológica e haviam sido capturados no Níger em 2024.
O Grupo de Apoio ao Islã e aos Muçulmanos, conhecido como GSIM e afiliado à Al-Qaeda, era o responsável pelo sequestro. A organização divulgou um vídeo em 2024 no qual afirmava deter dois reféns capturados no sudoeste do Níger.
A ação ocorreu em território malinês e encerrou quase dois anos de cativeiro para os reféns. O comunicado oficial não revelou o número de combatentes envolvidos nem eventuais baixas entre as forças em confronto.
Segundo a RFI, a presença militar russa no Mali aumentou significativamente após a saída das tropas francesas. Moscou aproveitou o rompimento dos acordos com o Ocidente para consolidar sua influência na região por meio de apoio logístico e treinamento militar.
O Africa Corps ampliou sua atuação em países como Níger, Burkina Faso, República Centro-Africana, Líbia e Sudão. Essa expansão reflete a reconfiguração geopolítica do continente, onde potências ocidentais perderam terreno após sucessivos golpes de Estado.
O Ministério da Defesa russo destacou que a operação demonstra o compromisso de Moscou com a segurança de seus cidadãos e parceiros no exterior. A diplomacia russa utiliza esses êxitos para projetar uma imagem de potência global capaz de proteger seus interesses apesar das sanções ocidentais.
A Rússia intensificou sua presença na África desde o início da guerra na Ucrânia como forma de diversificar suas alianças internacionais. Essa estratégia abrange acordos militares, investimentos em mineração e energia e programas de capacitação técnica com nações africanas.
O resgate evidencia a transição russa de estruturas paramilitares, como o antigo Grupo Wagner, para unidades oficiais do Estado, como o Africa Corps. O Kremlin pretende com isso institucionalizar sua influência militar no continente e torná-la mais previsível.
O caso de Oleg Greta e Iouri Yourov ilustra a persistente instabilidade no Sahel, dominada pela ação de grupos jihadistas. A libertação representa um sucesso simbólico para a Rússia em meio à acirrada disputa por influência política e recursos econômicos na região.
Leia também: Rússia intensifica parceria antiterrorista com nações do Sahel
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