Cessar-fogo na RDC segue distante da aplicação prática no leste do país

Militares em área rural da República Democrática do Congo, onde o cessar-fogo ainda não foi totalmente aplicado. (Foto: Getty Images - Brent Stirton)

O cessar-fogo firmado entre o governo da República Democrática do Congo e o grupo rebelde AFC/M23 continua restrito ao papel enquanto confrontos persistem no leste do país.

As duas partes deveriam cooperar na verificação da trégua, mas os combates e as desconfianças mútuas mantêm o acordo longe da aplicação prática. O entendimento prevê que representantes do governo congolês e do AFC/M23 atuem lado a lado para monitorar violações, investigar incidentes e propor medidas de prevenção.

O mecanismo foi estruturado na Suíça, onde se buscou integrar o Acordo de Doha e o sistema da Conferência Internacional sobre a Região dos Grandes Lagos. O plano estabelece que três delegados de cada lado trabalhem em conjunto com membros da CIRGL sob observação da União Africana, do Catar e dos Estados Unidos.

A missão deve cobrir as províncias de Nord-Kivu e Sud-Kivu, e seus relatórios serão encaminhados ao Mecanismo de Supervisão de Doha. Apesar do avanço diplomático, a implementação enfrenta obstáculos significativos, como o financiamento ainda indefinido e a ausência de nomeações completas dos integrantes do comitê conjunto.

O acesso seguro às zonas de conflito também não foi garantido, o que compromete a credibilidade e a eficácia do processo de verificação. Outro ponto sensível é o território de Minembwe, no Sud-Kivu, onde os rebeldes acreditam que Kinshasa tenta retomar o controle pela força.

Ataques de drones concentraram-se nessa região nas últimas semanas, alimentando o clima de desconfiança entre as partes. O governo congolês insiste que o AFC/M23 deve cessar imediatamente as hostilidades e retirar-se das áreas ocupadas.

O grupo rebelde acusa o Exército congolês de violar repetidamente os termos da trégua, o que impede o avanço de uma paz duradoura. A população civil continua a sofrer com deslocamentos forçados, escassez de alimentos e destruição de infraestrutura em meio ao impasse.

Organizações humanitárias alertam para o agravamento da crise e pedem garantias de segurança para operar nas zonas afetadas. A Missão das Nações Unidas na RDC, Monusco, reconheceu avanços nos diálogos de paz, mas ressaltou que a situação no terreno ainda é frágil.

O grande desafio agora é transformar o compromisso diplomático em ações concretas que interrompam a espiral de violência. O cessar-fogo, embora formalizado, permanece como promessa distante para as comunidades que vivem sob o som das armas.

Leia mais sobre o assunto na Getty Images – Brent Stirton.


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