Desconfiança recorde no STF impulsiona reforma do Judiciário como tema das eleições de 2026

Ilustração editorial sobre Desconfiança recorde no STF impulsiona reforma do Judiciário como tema das eleições de 2026. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro)

A desconfiança recorde da população com o Supremo Tribunal Federal transformou a reforma do Judiciário em tema central das eleições presidenciais de 2026. Segundo o portal Metrópoles, a crise de imagem da Corte, somada a investigações envolvendo ministros e o Banco Master, elevou o assunto à condição de bandeira para pré-candidatos de diferentes espectros.

Uma pesquisa Genial/Quaest revelou que 53% dos brasileiros afirmam não confiar no STF. Ao mesmo tempo, 41% dizem confiar na instituição — marcando a primeira vez que a desconfiança supera a confiança.

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, trabalha para aprovar um conjunto de normas internas sobre ética e conduta dos integrantes dos tribunais superiores. Fachin busca consenso entre os pares e defende uma “autocorreção” institucional para recuperar a credibilidade da Corte.

O Partido dos Trabalhadores incluiu em seu novo programa político a defesa da democratização e da reforma do Judiciário. A legenda propõe a criação de um manual de conduta para o STF, além de fortalecer os órgãos de controle, ampliar a transparência e aumentar a responsabilidade institucional.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem abordado o tema em entrevistas recentes. Lula reconheceu que o escândalo envolvendo o Banco Master afetou a imagem do Supremo.

Lula afirmou ter alertado o ministro Alexandre de Moraes sobre a importância de preservar sua biografia após o julgamento dos atos de 8 de janeiro. O presidente sugeriu que o magistrado se declare impedido de participar de processos relacionados ao banco.

Lula voltou a defender a ideia de mandatos para ministros do STF, proposta que já constava no programa do PT em 2018. Para o presidente, o modelo atual — que permite permanência até os 75 anos de idade — precisa ser revisto para garantir maior renovação e equilíbrio institucional.

O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema, pré-candidato à Presidência, também explora o tema com intensidade. Zema foi alvo de notícia-crime encaminhada ao STF por causa de vídeo satírico sobre os ministros Gilmar Mendes e Dias Toffoli e prometeu não se intimidar.

Zema pretende propor uma reforma completa do Supremo e aposta no discurso anticorrupção para mobilizar o eleitorado conservador. O político mineiro critica a elite jurídica como estratégia para ganhar apoio popular.

O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato pelo Partido Liberal, colocou o Judiciário no centro de sua plataforma eleitoral. Ele defende a possibilidade de impeachment de ministros do STF e a desburocratização do sistema judicial.

Flávio Bolsonaro afirmou, em evento no Rio Grande do Sul, que a renovação de dois terços do Senado nas próximas eleições pode fortalecer essa agenda. O senador sinaliza que a direita pretende transformar o embate com o Supremo em principal bandeira de campanha.

Edson Fachin tenta conter os danos institucionais e restaurar a confiança pública no tribunal. Parte dos ministros considera desnecessário um novo código de conduta, pois a magistratura já é regida por normas rigorosas.

O impasse interno expõe a tensão entre demandas por transparência e o receio de fragilizar a autonomia do Judiciário. O tema da reforma do STF já molda as posições dos principais pré-candidatos e deve influenciar o eleitorado na disputa presidencial.


Leia também: Delação de Vorcaro no caso Banco Master ameaça o coração do poder em Brasília


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