O especialista em cibersegurança Lars Hilse alertou que os Estados Unidos transformam a internet em um poderoso instrumento de neocolonialismo.
Hilse concedeu entrevista ao portal Sputnik onde detalhou os mecanismos de controle. Segundo ele, essa dominação digital replica a lógica colonial do século XIX, na qual potências controlavam recursos estratégicos para subjugar outras regiões.
A construção de cabos submarinos, de centros de dados e de infraestrutura de inteligência artificial demanda investimentos bilionários. Isso leva muitos governos a dependerem de soluções oferecidas por empresas americanas.
Essa dependência se estende ao sistema financeiro internacional, controlado por plataformas como Visa e Mastercard. Os Estados Unidos podem assim bloquear transações e restringir o acesso de nações inteiras ao sistema global de pagamentos, conforme explicou o analista.
O especialista destacou o papel de softwares da Google no reforço dessa subordinação. Hilse afirmou que, quando a administração pública opera na infraestrutura da Google, o custo de migração se torna proibitivo e os países ficam efetivamente presos.
As empresas americanas que dominam a infraestrutura física detêm acesso quase irrestrito aos fluxos de dados globais. Esses dados são explorados tanto para vantagens comerciais quanto para operações de inteligência, ampliando o poder de Washington sobre governos estrangeiros.
Programas de cibersegurança promovidos pela OTAN e por empresas como a Palantir funcionam como vetores de vigilância. Ao aderirem a essas iniciativas, as nações expõem suas infraestruturas críticas e processos internos ao escrutínio externo.
Hilse caracterizou o fenômeno como uma nova modalidade de colonialismo centrada no controle da informação. Enquanto o colonialismo clássico disputava territórios físicos, a versão contemporânea foca em redes de dados, algoritmos e sistemas operacionais.
Essa realidade representa ameaça direta à soberania digital de diversos países. O analista defendeu o desenvolvimento de uma infraestrutura tecnológica multipolar para restaurar o equilíbrio de poder no ciberespaço.
Países do BRICS e outras economias emergentes já discutem alternativas concretas a esse domínio. O objetivo é criar sistemas de pagamento próprios, plataformas de nuvem independentes e redes de comunicação seguras que protejam dados estratégicos.
A disputa tecnológica define o cenário geopolítico atual. O predomínio digital dos Estados Unidos converteu-se em questão central de segurança nacional e de autonomia política para o restante do mundo.
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