Os vilarejos libaneses próximos à fronteira com Israel enfrentam uma devastação crescente, com casas, escolas e cemitérios reduzidos a escombros.
Segundo reportagem da jornalista Kawnat Haju para a RFI, o Exército israelense mantém operações que ocupam uma faixa equivalente a mais de 5% do território libanês. A prática configura clara violação do direito internacional.
A trégua entre os dois países segue frágil, enquanto milhares de libaneses permanecem deslocados desde outubro de 2023. Naquele período, o Hezbollah abriu um front de apoio à Faixa de Gaza, o que provocou a escalada na fronteira sul do Líbano.
Muitos desses civis residem em abrigos improvisados, como o hotel Montana, localizado em Marwanieh, convertido em moradia semipermanente para famílias inteiras. As condições nesses espaços são precárias e o retorno às aldeias originais é impedido pela continuação das demolições israelenses.
A deslocada Hosna descreveu a destruição completa de seu vilarejo natal, Beit Lif, atualmente ocupado por tropas israelenses. Ela exibiu no celular imagens que mostram como tratores e explosivos não deixaram uma única casa de pé na localidade.
Hosna lamentou ainda a profanação dos cemitérios onde repousam seus familiares. “Se não há mais seres humanos para matar, eles cometem crimes contra a pedra”, disse a libanesa, que divide um quarto apertado com toda a família.
As forças israelenses publicaram vídeos das demolições em suas redes sociais. Essa prática intensifica o trauma coletivo dos libaneses do sul, conforme documentado pela RFI.
A guerra em Gaza, que eclodiu em outubro de 2023, já dura mais de dois anos sem solução diplomática no horizonte. O Hezbollah mantém confrontos limitados com o Exército israelense na tentativa de conter a expansão territorial de Tel Aviv.
O governo libanês denuncia a ocupação como violação da soberania e exige a retirada imediata das tropas, com apoio da ONU. Especialistas consideram que a destruição deliberada de infraestrutura civil configura crime de guerra sob as convenções internacionais.
Em Marwanieh e localidades vizinhas, as famílias dependem de doações e vivem em condições de superlotação em hotéis e escolas adaptadas. A eliminação das aldeias apaga a memória coletiva e destrói as bases da economia local, centrada na agricultura.
Israel apresenta suas ações como medidas de segurança necessárias. Organizações de direitos humanos alertam que a política adotada no sul do Líbano gera deslocamento forçado e viola o direito humanitário internacional.
O sofrimento dos deslocados libaneses se soma ao drama humanitário mais amplo no Oriente Médio. A eventual reconstrução demandará recursos significativos e o fim da ocupação militar estrangeira na região.
Leia também: Israel impõe linha amarela e consolida zona tampão no sul do Líbano
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