Relator rejeita criação da estatal Terrabras e trava proposta para controle de minerais estratégicos

REPRODUÇÃO

O Congresso sofreu um revés na proposta de criação da Terrabras. O relator do projeto, deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), rejeitou a estatal voltada à gestão de minerais críticos, interrompendo uma iniciativa estratégica.

A proposta tinha objetivo claro.

Criar uma empresa pública para coordenar a exploração e gestão de minerais considerados essenciais, como terras raras, lítio e nióbio.

Esses recursos são centrais na economia global.

Eles estão presentes em baterias, chips, veículos elétricos e equipamentos militares, e se tornaram ativos estratégicos na disputa entre grandes potências.

A rejeição ocorre em meio a um contexto sensível.

O Brasil possui uma das maiores reservas minerais do mundo, mas ainda tem baixa participação na cadeia de valor, especialmente no refino e na industrialização.

A Terrabras buscava mudar isso.

A ideia era criar um modelo semelhante ao de empresas estatais de energia, com atuação coordenada para ampliar controle nacional sobre recursos estratégicos.

O relator, no entanto, apontou restrições.

Segundo avaliação apresentada, a criação da estatal poderia gerar sobreposição com estruturas já existentes e aumentar o peso do Estado no setor mineral.

A decisão interrompe o avanço da proposta no Congresso.

E mantém o modelo atual, baseado majoritariamente na atuação de empresas privadas e parcerias internacionais.

O debate ocorre em paralelo a movimentos concretos.

Recentemente, acordos internacionais vêm direcionando minerais brasileiros para cadeias produtivas externas, sem processamento local.

Esse cenário reforça o dilema.

O país exporta matéria-prima.

E importa produtos com maior valor agregado.

No plano global, a disputa se intensifica.

Estados Unidos, China e União Europeia ampliam políticas industriais para garantir acesso e controle sobre minerais críticos.

Alguns países adotam estatais ou mecanismos de coordenação nacional.

Outros apostam em regulação e incentivos privados.

O Brasil ainda busca um modelo.

A rejeição da Terrabras indica resistência política a ampliar o papel estatal, mesmo em setores considerados estratégicos.

Para a economia brasileira, o impacto é direto.

Sem coordenação nacional, o país tende a seguir como fornecedor de insumos, com menor captura de valor na cadeia global.

Por outro lado, o tema não está encerrado.

A pressão por soberania mineral cresce à medida que a transição energética avança e aumenta a demanda por esses recursos.

O dado central é a escolha de modelo.

Entre maior controle estatal ou abertura ao mercado.

E, neste momento, o Congresso optou por não avançar na criação de uma estatal para minerais críticos.

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