Sheinbaum cobra soberania após morte de agentes da CIA no México

Ilustração editorial sobre Sheinbaum cobra soberania após morte de agentes da CIA no México. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro)

O acidente fatal envolvendo dois agentes ligados à CIA dos Estados Unidos no estado de Chihuahua reacendeu o debate sobre a presença de operações estrangeiras em território mexicano.

As autoridades mexicanas examinam se os agentes violaram leis nacionais que exigem autorização federal para qualquer atividade de segurança realizada por estrangeiros. A Procuradoria-Geral da República abriu uma investigação detalhada sobre o caso.

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, anunciou a apuração durante sua coletiva de imprensa matinal. Sheinbaum destacou que o órgão vai investigar eventuais descumprimentos da Constituição e da Lei de Segurança Nacional do país.

Sheinbaum enfatizou que nenhum agente norte-americano pode atuar diretamente com autoridades estaduais sem o consentimento prévio do governo federal mexicano. A presidente acrescentou que a cooperação entre os dois países deve se limitar à troca de informações de inteligência, sem operações conjuntas em campo.

A presidente alertou ainda que a confirmação de irregularidades pode levar à emissão de uma nota diplomática oficial dirigida aos Estados Unidos. Sheinbaum revelou ter mantido comunicação direta com a embaixada norte-americana e reafirmou que a soberania nacional não está aberta a negociações.

O embaixador dos Estados Unidos no México, Ronald Johnson, prestou condolências pela morte dos agentes em mensagem publicada nas redes sociais. Johnson classificou as vítimas como integrantes da equipe da embaixada e defendeu a continuidade da parceria em segurança e justiça entre as nações.

Relatos conflitantes sobre as atividades dos agentes foram destacados pelo Al Jazeera. O Washington Post indicou que eles integravam uma operação antidrogas, enquanto autoridades locais de Chihuahua negaram qualquer participação estrangeira na ação.

O procurador-geral do estado de Chihuahua, César Jáuregui Moreno, assegurou que somente elementos da Agência Estatal de Investigação e do Exército mexicano estiveram envolvidos na descoberta de um laboratório de drogas em El Pinal. Jáuregui Moreno explicou que os norte-americanos visitavam o país para ministrar cursos sobre drones e não participavam de operações diretas.

O veículo saiu da pista e caiu em um desfiladeiro profundo, segundo os primeiros relatos das equipes de resgate locais. As identidades completas dos agentes mortos ainda não foram divulgadas e as circunstâncias precisas do acidente seguem sendo apuradas.

O episódio surge em meio a uma escalada de tensões entre o governo mexicano e a administração de Donald Trump. Trump tem ameaçado repetidamente adotar medidas unilaterais contra os cartéis mexicanos sob o pretexto de combater o narcotráfico.

Trump qualificou os cartéis como “terroristas estrangeiros” em discursos recentes, o que, segundo analistas, poderia ser usado para justificar intervenções diretas em solo mexicano. Especialistas em relações internacionais veem nessas posturas um risco grave de violação à soberania de nações independentes.

Sheinbaum tem posicionado a defesa da soberania mexicana como princípio inegociável em suas relações com Washington. A presidente prioriza o reforço das operações nacionais de combate ao crime organizado sem a interferência direta de agentes estrangeiros.

O episódio expõe as complexidades da cooperação de segurança entre México e Estados Unidos. A investigação em andamento deverá determinar se o acidente foi um evento isolado ou indício de atividades irregulares não autorizadas pelo governo mexicano.

Com informações de ALJAZEERA.


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